domingo, 12 de maio de 2019

Índios no Paraguassú: povo Payayá continua vivendo entre o recôncavo baiano e o rio São Francisco

obra Payayá do artista Willian
As marcas do povo Payayá na bacia dos rios Paraguassú e Jacuype, entre o recôncavo e a Chapada Diamantina, são incontestáveis. Vários municípios baianos ainda possuem os vestígios vivos do povo Payayá, seja na sua história, na cultura (artesanato de barro, palha,...), na genética da população (fenótipo e genótipo), no vocabulário (como denominações de comunidades, rios, plantas, animais, ...), no conhecimento e cultivo de várias plantas,...

Do recôncavo baiano ao rio São Francisco, o povo Payayá continua vivo mas invisíveis através da desorganização, após, as matanças e perseguições dos brancos para roubarem as terras, os estupros feito por brancos e pretos e a mistura familiar. Uns descendentes esperam pela sorte na pobreza. Outros sabem que seu destino dependem da sua própria ação, já estão se organizando por vários municípios baianos. 


Os fragmentos do povo Payayá estão espalhados por vários municípios da Bahia como Nova Soure (nordeste baiano), Campo Formoso, Jacobina, Morro do Chapéu, Utynga, Ipecaetá, Anguera, Irará, Feira de Santana, Cachoeira, Antonio Cardoso, Santo Estevão,...

Na região do médio Paraguassú chama atenção os municípios de Antonio Cardoso (ex Jacuípe, depois Umburanas) e Santo Estevão. Ambos guardam relíquias ocultas do povo Payayá incontestáveis. Embora, muitos descendentes do povo Payayá na região e em vários municípios baianos, por se misturarem com pretos e brancos ou por ignorância das suas origens, não se reconhecem como herdeiros do sangue ancestral da região.

Payayá em Santo Estevão
Em Antonio Cardoso, a presença mais clara do povo Payayá se encontra na história e em algumas famílias descendentes. Na história do município de Antonio Cardoso, o Mons. Renato de Andrade Galvão relata  (clique aqui) nas "NOTAS SOBRE ANTONIO CARDOSO-BA" que "as terras do atual município de Antonio Cardoso, como todas as áreas banhadas pelo Rio Jacuípe, foram outrora povoadas pelos Índios Paiaiases. Viveram em lutas continuas e guerras de extermínio com os poderosos Maracazes que dominaram o vale do Paraguassú e as terras úmidas do Jequiriçá. Batidos pelos brancos foram recuando para as bandas de Saúde e Jacobina, legando o nome da tribo na toponimiade várias regiões, o que atesta dispersão." No município de Antonio Cardoso se encontra plantas frutíferas da região como caju, umbu, licuri, jenipapo,...



No entanto, sabe-se que os Payayás também são conhecidos por Maracanassus e maracá não trata de uma etnia mas o instrumento usado na dança do Thoré. Ainda todos os registros e pesquisas sobre os povos nativos foram feitos, há séculos, por brancos que para impor seu domínio trataram de modo preconceituoso e inferior. Como os brancos não dominaram todas as línguas dos povos nativos acabaram impondo o vocabulário de um povo a outro e muitas vezes fizeram registros equivocados de etnias ou deram nomes diferentes para mesma etnia com presença em regiões diferentes. Por isso devemos ter cautela nas pesquisas de antropólogos, historiadores,... e jamais considerar como donos da verdade.    


"O Toré é um ritual praticado pela quase totalidade dos povos indígenas do Nordeste.  É dançado ao ar livre por homens e mulheres que, aos pares, formam um grande círculo que gira em torno do centro. Cada par, ao acompanhar os movimentos, gira em torno de si próprio, pisando fortemente o solo, marcando o ritmo da dança, acompanhado por instrumentos como maracás, gaitas e pelo coro de vozes dos dançarinos. 
Distrito Payayá no município de Santo Estevão
Esse ritual é um elemento essencial na organização social e política dos povos indígenas do Nordeste, e constitui seu principal elemento de afirmação de uma identidade indígena, tanto internamente, como nas relações com a população local e com os órgãos oficiais (LAIGNEAU,  2006). - LAIGNEAU, Patrick. “Vamos lutar da forma que nós sabemos”:  estudo etnográfico sobre a participação de representantes indígenas nos comitês de bacias hidrográficas no Brasil - Os estudos do Comitê do Itajaí e do  Comitê  São  Francisco. 2006. 127 f. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) -  Universidade Federal do Rio Grande do Sul, [2006].

Já no município vizinho, Santo Estevão, destaca o distrito Payayá (que herda o nome do povo original que deixou vários descendentes no local) e algumas famílias descendentes. Chama atenção também o plantio de árvores frutíferas típicas da região como o caju, o licuri,... Também existe o time de futebol com o nome do distrito, provavelmente, é registrado na liga de futebol santoestevense.


No município de Nova Soure existe também um distrito com o nome Payayá. Alguns moradores que migraram para São Paulo criaram o time Paiaiá Futebol Club. Atualmente já é registrado na liga de futebol do município paulista de Santo Amaro. (Clique aqui). O face do time clique aqui.

Distrito Payayá no município de Santo Estevão
Segundo artigo de Juvenal Teodoro Payayá, publicado em 06 de fevereiro de 2016, "O POVO INDIGENA PAYAYÁ de origem tupi, está localizado no estado da Bahia; teve seus primeiros contatos com o colonizador branco logo nos anos iniciais após as invasões Ibérica, a primeira data identificada é em 1531 na foz do Rio Paraguaçu, onde hoje estão as cidades de Cachoeira e São Felix expandido pelo sertão até próximo as barrancas do Rio São Francisco. São esparsas notas, porém, vivas por todos os 5 séculos, os escrivães coloniais sempre identificaram os Payayá e sempre no mesmo território, em parte deste território, até hoje, permanecem e vivem seus remanescentes. 


Alguns pesquisadores modernos seguem identificando este povo indígenas, ora escondendo das perseguições do branco, ora em luta renhida, ora acomodados, vivendo sua cultura no silêncio entre rios e matas e serras. 
Distrito Payayá no município de Santo Estevão
Os índios Payayá deixaram em diversas Cidades do Estado da Bahia marcas visível de sua existência e de sua cultura e labor, sua persistência e poder por séculos, sem deixar dúvidas, amenos que se duvide do óbvio, são montes, serras, cachoeiras, vilas, caminhos, e outras marcas com onde o nome Payayá não é por acaso. 



Presença Payayá em Feira de Santana
As principais ocorrências estão nas cidades de Cachoeira, Irará, Feira de Santana, Serra Preta, Santo Estevão, Nova Soure, Utinga, Tapiramutá, Jacobina, Saúde, Santa Terezinha, campo Formoso, Morro do Chapéu, Boa Vista do Topim e outras. Providencia fez que até em hinos as cidades louvassem este povo “desconhecido”, como é o caso de Tapiramutá: “Na flecha certeira do índio Paiaiá”!

Este povo durante mais de 500 anos vem subsistindo ao colonialismo, guerras, decretos de extermínio por parte de governos, doenças, mutilação cultural, supressão históricas, ataques acadêmicos por parte de setores reacionários; enfrentamento ao estatuto colonial e republicano, sem a proteção do SPI nem da FUNAI, mas não se rendem; ás vezes com vitórias esparsas, seu maior legado foi a vitória contra os bandeirantes paulistas na chamada “Guerra dos Bárbaros” de séc XVII. Antes mesmo do grande feito de Canudos por Antônio Conselheiro.


É evidente que a documentação histórico acadêmica despreza a oralidade, os Paayayá pode ser dito que são os índio genuinamente baianos. A linha do tempo nos mapa atuais precisam ser corrigidos, em poucas obras de grande valor tem feito justiça ao povo Payayá, como o mapa de Kurt Nimuendaju, a tese de doutorado de Pedro Puntone, a tese de mestrado de professor Sólon Natalício, todos na internet, estes não somente reconheceram a presença dos Payayá no território tradicional como, deixaram apagar a afixa e a marca no mapas do tempo. 


Presença Payayá em Anguera
Modernamente os Payayá, digo modernamente, meado do século XX, sofreu sua grande e maior dispersão, fruto da revolução industrial “rumo ao sul maravilha” e por pouco tempo abandonou seu grande legado que é o território tradicional. 
A reordenação porém , ocorreu antes de findar o século, um pequeno grupo não abandonou suas raízes e ouvindo o chamamento espírito-cultural através do som do maraká, se reagrupou e permanece em comunhão no seu território tradicional na Chapada Diamantina.


O povo Payayá sofreu grandes perseguições por mais de 500 anos, foram oprimidos pela ação, vitimados principalmente pelo processo da mineração na Chapada Diamantina a partir do sec.XVIII ao sec. XX, nas serras da jacobina como ouro e o diamante, o ouro continua a ser o fruto da cobiça do colonizador, hoje do capitalismo internacional.


Os Payayá tem sua principal localização na cidade de Utinga, Aldeya Payayá da Cabeceira do Rio, onde vivem de cultivar mudas nativas e artesanato, kauim e outras atividades. Pela exiguidade de seu território e as crise hídricas através das secas periódicas que abatem a região do Nordeste da Bahia, o povo Payayá sofre com a dispersão dos seus membros. São 70 famílias que periodicamente sofrem a dispersão pelo sabor das chuvas.


Biblioteca Nacional / Payayá em Jacobina
O povo Payayá luta para subsistir, a condição conjunta de sangue-espírito-cultura e fé é quem fortalece. Acreditamos que somente unidos pelas condições e em seu território tradicional o povo indígena não exterminará."


Rios Paraguassú, Curumatay e Jacuype continuam dominados por índios Payayás

Gameleira / Árvore sagrada para o povo Payayá

Matanças dos índios no recôncavo baiano / Bibliot. Nacional 
Destruição cultural e física dos índios /
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