segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Índios no recôncavo baiano: descendentes dos payayás vivem na região até a Chapada

Atualizado em 09.12.2018.

A origem do cidadão de bem brasileiro!!

Roubaram as terras, destruíram as matas, mataram os "índios" homens, estupraram as "índias" e dizem que os descendentes "indígenas" não são "índios" (entre aspa porque aqui não é o país Índia). Já eles que não possuem o sangue de "índio" se acham os verdadeiros donos das terras.

Um dos livros do escritor Juvenal Payayá, descendente do povo Payayá, publicado em 2018. Do Tupy "Nheenguera", significa “O recado”.



O povo Payayá tem caráter e uma bela história. Seus descendentes que não traem suas origens tem a honra de preservarem sua nobreza: sangue de guerreiros.

O escritor famoso Gregorio de Matos trata da nossa etnia Payayá em sua obra.

"Há coisa como ver um paiaiá
Mui prezado de ser caramuru,
Descendente de sangue de tatu,
Cujo torpe idioma é cobepá.

A linha feminina é carimá
Moqueca, pititinga, caruru
Mingau de puba, e vinho de caju
Pisado num pilão de Piraguá.

A masculina é um Aricobé"
   
                                 Gregorio de Matos

Segundo o pesquisador Solon Santos "Nestes versos do soneto satírico “Aos principais da Bahia chamados os Caramurus”, Gregório de Matos (1636-1696) ridiculariza uma figura típica da sociedade baiana seiscentista, os Caramurus, que, de ascendência mestiça, afirmavam serem descendentes puros de europeus e assumiam os ares de fidalguia. O poeta “Boca do Inferno” os menosprezava por descenderem da união entre índias e brancos, chamando-os inicialmente de paiaiá. A etnia indígena Payayá deu muito que falar durante o século XVII devido à sua resistência armada e dissimulada diante do projeto de colonização. Essa condição de “índios bravos” se infere no próprio soneto de Gregório de Matos, no qual ele usa não apenas um etnônimo, mas uma noção historicamente construída de inconstância, ferocidade e resistência ao “processo colonizador”. "

Os professores e livros escolares não tratam das Guerras do Recôncavo baiano ou Guerras contra os Gentios Bárbaros (os brancos vieram roubar e matar  mas a história oficial considera as vítimas inocentes de bárbaras).

O escritor Juvenal Payayá faz uma reflexão, fundamentada na Filosofia da Ciência, sobre as ciências no poema "Teorema", da obra "Nheenguera" - O recado. A partir do poema de Juvenal, se deduz que as ciências ensinadas nas escolas e universidades são falhas e não compreendem a realidade da América e em especial do Brasil:

TEOREMA

A confiança,
- como teorema - 
Por mais
Certeza adquirida
No postulado
É necessário
A demonstração
Da concisa à clara.

A fé sedutora
É paradoxal: 
Difusa e concisa, 
Sua embriaguez
Não é explícita.
Ao incrédulo cabe
A tarefa de reconstruir,
Depois da maré alta, 
Os passos pela areia.

                   Juvenal Payayá

"Mais velha que a freguesia de Cachoeira, a freguesia de Santiago do Iguape (hoje distrito de Cachoeira) foi criada nos últimos anos do século XVI com o nome de Paraguaçu. (...) Suas águas férteis atráiam os índios Paiaiás para pescarias até a segunda metade do século XVII. O medo de ataques indígenas está expresso na arquitetura regional mais antiga ( Capela de Nossa Senhora da Pena, por exemplo)."

No recôncavo baiano, os invasores portugueses tiveram primeiro contato com "os índios Maracás, também chamados Paiaiá ou Maracanassu já habitavam o vale quando os primeiros colonizadores, o fidalgo português, Paulo Dias Adorno e Rodrigues Martins, componentes da expedição de Martim Afonso de Souza (que chegou à Bahia em 1531, com a tarefa de estimular o cultivo da cana-de-açúcar), estabeleceram-se às margens do rio Paraguaçu. Aí, Dias Adorno construiu residência, senzala, engenho e a capela de Nossa Senhora do Rosário. Assim surgiu a povoação que se tornaria, um século depois, a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira, importante porto fluvial e ponto inicial das estradas para os sertões de Minas Gerais, Piauí e Maranhão e para as lavras diamantinas.

Os engenhos e as fazendas de gado foram surgindo aos poucos e a vila ganhou importância econômica com as culturas do fumo e da cana-de-açúcar, sendo o segundo município instalado no Recôncavo Baiano. A ligação entre o Recôncavo e o sertão unindo duas riquezas, o gado e o ouro, consolidou a importância econômica de Cachoeira."

As tropas da capitania (depois província) da Bahia, que perseguiam os "índios" do recôncavo baiano à Chapada Diamantina, pediram ajuda aos paulistas para conseguirem derrotar e  tomarem as terras da região.

livro "As Excelências do Governador"

As gerações atuais herdaram o sofrimento das passadas. Até hoje, a população brasileira, principalmente os brancos e pretos, cuida de negar a existência dos "índios" porque a presença deles coloca em ameaça o domínio das terras... através dos roubos. Roubaram as terras do povo Payayá, por isso, muitos dos seus descendentes vivem nas cidades, principalmente, entre o recôncavo baiano e a Chapada Diamantina. Clique aqui.

A promessa de vida melhor na cidade serviu apenas para tirarem os "índios" de suas terras. O escritor Juvenal Payayá denuncia na obra "Nheenguera" - O recado - a sobrevivência degradante dos "índios" fora de suas terras:

Que adianta terra molhada com marcação?
Quem manda na terra manda na vida...!
É preferível sofrer, livre no sertão
A ser escravo na terra prometida!

                                 Juvenal Payayá

Não bastavam as invasões e doenças, os invasores brancos além de destruirem as famílias dos "índios" usaram nas guerras como descartáveis para garantirem seus interesses. Clique aqui. Assim, os "índios" se destruíam e as terras ficavam sem donos, eles tomavam posse. Os "índios" também enfrentaram a infiltração - mais forçada que consentida - dos brancos e pretos em seu núcleo familiar. Ainda usaram da religião (a bíblia) para dominarem os povos originais.

Até hoje, o cristianismo é uma arma de desapropriação dos "índios" das suas terras.

As igrejas fizeram os "índios" abandonarem suas terras para os brancos. As perseguições, matanças, escravização e a evangelização dos "índios" produziram a multidão de miserável atual, formada por descendentes da mistura entre "índios", brancos e pretos. Tomaram as terras e empurraram os descendentes "indígenas" para viverem na pobreza em volta das igrejas. Sobrevivendo na situação de "indígena" urbano (nasce na cidade) ou "indígena" no contexto urbano (migra para viver na cidade). Clique aqui. Rezando para disfarçarem o tormento mental gerado pela vida miserável que levam.
Ana Paula, UNEB

"Durante  as  décadas  de  50,  60  e  70  do  século  XVII  são  organizadas  várias  jornadas  ao sertão  do  Recôncavo  baiano,  principalmente  comandadas  por  paulistas,  para  combater  os índios  que  estavam  atacando  as  vilas  da  região,  principalmente  as  de  Cairú,  Camamu  e Boipeba.  A  maior  parte  da  documentação  pesquisada  para  a  região  do  sertão  do  Recôncavo baiano  neste  período  não  fornece  etnônimos  para  os  povos  envolvidos  nos  conflitos, tratados  genericamente  como  o  “gentio  bárbaro”  que  ataca  as  vilas,  plantações  e  fazendas dos  moradores.  No  entanto,  alguns  são  citados,  como  os  Topin,  os  PAIAIÁ  e  os  Maracá.  Os Paiaiá  aldeados  na  serra  da  Jacobina  vão  ser  transferidos  para  a  serra  do  Orobó  para servirem  de  muralha  contra  os  ataques  ao  Recôncavo  e  também  auxiliarão  nos  combates contra  os  Maracá.  Depois  de  um  período  de  aparente  calmaria,  voltam  a  aparecer  na documentação  pesquisada  conflitos  na  região  do  Recôncavo,  a  partir  das  primeiras   décadas  do  século  XVIII,  principalmente  entre  1719  e  1722.  Neste  período  foram encontradas  várias  cartas  do  governador  geral  do  Estado  do  Brasil  solicitando  índios  para  a “Guerra  dos  Bárbaros”  na  região.  No  mesmo  período  são  também  pedidos  índios  para  a “Guerra  dos  Bárbaros”  no  sertão  do  São  Francisco  e  no  Piauí,  o  que  aponta  para  uma generalização  dos  conflitos  do  ponto  de  vista  espacial,  que  passam  a  ocorrer  em  várias regiões  neste  momento." Ricardo  Pinto  de Medeiros –  UFPB.

Capistrano de Abreu relata que


A pesquisadora Ana Paula diz que
Ana Paula, UNEB

Segue dois trechos do livro "História dos índios no Brasil", organizado por Manuela Carneiro da Cunha, sobre os "índios" do recôncavo baiano. Detalhes, Clique aqui.



O povo Payayá continua presente na região. Além da presença dos descendentes espalhados na região existem outros elementos vivos. Descendentes do povo Payayá criaram grupo no facebook para localizar e unir os parentes na região: Payayá do Paraguassu (clique aqui). Um povo existe através da sua cultura.  O Vocabulário da língua do povo Payayá continua vivo e usado por seus descendentes na região nomes de: vegetação (kaatynga), rios (jacuype, paraguassu, curumatay), plantas (milho, mandioca...), animais (jacu...), municípios ou comunidades (Ipecaetá, Tinguatiba, Anguera, Ipuaçu, Ipirá, Itaberaba, Irará, Itapororocas...).


Gameleira, árvore sagrada para o povo Payayá, Antonio Cardoso


"O  município  de  Antonio  Cardoso,  por  sua  natureza  sociocultural,  política  e econômica,  guarda  importantes  heranças  dos  povos (...) indígenas  (...),  que  se  traduzem  em  linguagens,  fatos  históricos,  religiosidade,  saberes  e fazeres,  esses  aspectos  estão  intimamente  ligados  ao  cotidiano  das  pessoas, construindo  identidades e  formando  o  manancial cultural deste  lugar. (...) O  território  de  Antonio  Cardoso  era  povoado  por  grupos  indígenas,  a  exemplo dos  Paiaiás (...),  muitos  desses  povos  ocupavam  a  região  onde  hoje localiza-se  o  Distrito  de  Oleiro,  ficou  como  legado  desses  povos  a  cerâmica artesanal  que  ali  se  produz.  Também  os  dois  rios  expressivos  que  banham  o município  trazem  a  herança  indígena  em  seus  nomes:  Paraguaçu  –  que  em  Tupi significa  grande  rio  e  Jacuípe  -  rio  dos  jacus." Plano Municipal de Cultural de Antonio Cardoso





Vários municípios da região das bacias do Paraguassu e Jacuype possuem descendentes do povo Payayá.  Segue abaixo alguns municípios da região que tratam do povo Payayá na sua história:

"Os índios Maracás, também chamados Paiaiá ou Maracanassu já habitavam o vale quando os primeiros colonizadores (...) estabeleceram-se às margens do rio Paraguaçu. Aí, Dias Adorno construiu residência, senzala, engenho e a capela de Nossa Senhora do Rosário. Assim surgiu a povoação que se tornaria, um século depois, a Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira."

Segundo Renato de Andrade Galvão: "As terras do atual município de Antonio Cardoso, como todas as áreas banhadas pelo Rio Jacuípe, foram outrora povoadas pelos Índios Paiaiases. Viveram em lutas continuas e guerras de extermínio com os poderosos Maracazes que dominaram o vale do Paraguassú e as terras úmidas do Jequiriçá. Batidos pelos brancos foram recuando para as bandas de Saúde e Jacobina, legando o nome da tribo na toponimiade várias regiões, o que atesta dispersão."

"Quando os primeiros europeus se fixaram na gleba, que veio a ser o município de Feira de Santana, encontraram-na habitada pelos índios das tribos (...) Paiaiá”.

"O território no qual está situado o nosso Município (Rafael Jambeiro) nos dias de hoje, outrora era habitado pelas tribos indígenas dos Paiaiás."

"A cidade de Serra Preta era uma região primitivamente habitada pelos índios paiaiás."

"A nossa história (Ipecaetá) começa com os primeiros habitantes do Vale do Paraguaçu (...) habitavam os povos gentios Payayás."

"Região (Anguera) primitivamente habitada pelos índios paiaiá."

"Conta a história que por volta do século XVII viviam nessa região de Santanópolis índios da tribo dos Paiaiás."

"Até o século XVII, a região (Irará) era habitada pelos índios paiaiás, um subgrupo dos índios quiriris."

No município vizinho de Santo Estevão existe o distrito Paiaiá, sua origem provável foi uma aldeia dos ancestrais  do povo Payayá.


Distrito santoestevense de Paiaiá

"O MEU PAIAIA
Exatamente a 165 quilometro de distância da capital do estado, se encontra o distrito de Paiaia,  do municipio de Santo Estevão.
Paiaia que nos lmbra pessoas  que marcaram aquela localidade.
Paiaia que nos lembra o presidente  Lula, que  lá esteve para comemorar o .luz para todos
Paiaia que nos lembra  "Eu me rendo¨,do professor Orlando Santiago.
Paiaia, de Antonio de Oliveirea Rocha, de Tereza Rocha,
Paiaia de tantas outras pessoas, que por aqui passaram, que por aqui viveram e por aqui fazem falta.
Lídio, Bembem, Martim Moreira...
Paulo de Delfina.
Tia Edite, que por não ter filhos todos os seus sobrinhos, a teve como mãe.
É o meu paiaia da festa de Dezembro e da festa de nossa senhora da Piedade
...É o paiaia de dona Carmem que hoje está no céu.
É o paiaia de gente que está no Paiaia, é o  paiaia de gente mora fora do paiaia.
É  o paiais de um homem chamado  Caló
É o paiaia de Ubaldino de Oliveira Rocha, qua tanta  falta faz"

A Chapada Diamantina é uma região do povo Payayá. Os descendentes do povo Payayá  continuam morando na região dos seus ancestrais: do recôncavo baiano à Chapada. A Chapada Diamantina é o farol que ilumina e guia o Recôncavo Baiano.

Curiosidades: revoltas "indígenas" contra a dominação dos brancos no Brasil e EUA


Share on :

0 comentários:

 
© Copyright O JACUÍPE 2016 - Some rights reserved | Powered by Admin.
Template Design by S.S. | Published by Borneo and Theme4all