quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Consciência Negra: dia da confusão na consciência racial do brasileiro


Para início de conversa, o sentido do termo "Negro" como entende o IBGE, enquanto, a "soma de pardos com pretos" precisa ser desconstruído.


A discussão da questão racial no Brasil confunde mais do que esclarece.  Ainda se inventa palavras para não se reconhecerem o que é: muitos "índios" e descendentes se reconhecem pardos, já os pretos e descendentes preferem ser negros. Existem muitos interesses por trás dessas discussões. Um destes é descaracterizar as etnias originais ("índios", entre aspas porque aqui não é o país Índia. Algum professor questiona isso?) para acabarem de roubarem as terras. 

Essa desorientação no assunto, resulta dentre outros fatores, o uso de termos confusos e sem sentido no contexto social do país, como por exemplo "índio", pardo e negro. Clique aqui para ler mais. Muitos também se reconhecem pardos ou pretos para serem beneficiados pelas políticas publicas e não por questões de origem étnica. 

A desorientação racial no Brasil tem suas origens nas invasões portuguesas, as quais se fundamentavam em algumas ciências falsas (eugênia, poligênia, darwinismo social, teoria do branqueamento...) da época, que criavam compreensões raciais distorcidas. Para justificarem a dominação e roubo das terras invadidas das etnias (povos) originais e a escravidão de várias etnias africanas. Depois a confusão racial brasileira passou a ser incentivada pelo poder público.  

No Brasil as confusões da questão racial foram institucionalizadas com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas - IBGE. Clique aquiA pergunta do IBGE sobre a cor da pele é confusa, mistura cor com etnia (povo). Na pergunta oferece as sugestões de cor: branco, preto, amarelo, pardo e "indígena". 

"No primeiro censo realizado no Brasil, em 1872, a classificação aparecia em "quatro opções de resposta: branco, preto, pardo e caboclo"." Só a partir do censo de 1991 que a categoria "indígena" foi incluída na classificação.

O órgão considera NEGRO a soma das pessoas que se declaram pardas e pretas. Aqui está um dos equívocos graves: muitos "indígenas" e descendentes preferem se declararem pardas, nos critérios do órgão são consideradas NEGRAS. Clique aqui para ler essa discussão. 

Veja que "indígena" não é cor mas etnia (povo). Se alguém se declara "indígena", em seguida, pergunta a etnia (povo). Muitas pessoas que descendem de "índio" acabam confusas entre as opções de cor e o povo preferem se reconhecerem pardas. Se o IBGE quer conhecer a cor do brasileiro deve trocar pardo por vermelho e retirar a palavra "indígena".

Para piorar, se alguém se declara indígena em seguida pergunta o povo (etnia). Como muitos, as vezes, não sabem suas origens desistem da opção "índio". Essa situação é comum, por exemplo, entre o recôncavo baiano e a Chapada Diamantina, poucas famílias descendentes "indígenas" sabem que descendem do povo ("índios") Payayá.  



Cabe ainda citar os termos vagos usados nos estudos da população que ajudam distorcer a realidade como pardo e negro. Ambos são usados pelas pesquisas governamentais mas não tem definições claras. 

Qual o sentido de pardo? Pardo é uma cor? É possível se identificar essa cor com clareza? De que trata o termo negro? Considera-se negro a soma dos pardos com os pretos, aumentando a confusão étnica ou racial. Destacam também termos populares como caboclo, sertanejo, caipira, dentre outros mas nunca se fala índio.

Tais expressões só pioram a distorção sobre o estudo da população e pela vagueza abre espaço para interpretações equivocadas como o racismo e o pre-conceito racial. Gerando falso conhecimento sobre a história, culturas das etnias que formam a população do Brasil, principalmente, quando se trata dos povos "indígenas". 

Se a definição da pessoa se dá através da autodeclaração, então, a pergunta razoável não deveria basear na etnia (aspectos culturais, históricos, físicos dentre outros) ao invés da cor? Sabe-se que uma cor é determinada pela concentração da tonalidade: como o critério de cor pode ser usado para estudar o homem?

O IBGE permite que o miscigenado se declare pardo ou "indígena". No entanto, as próprias instituições sociais, como as escolas, universidades e os meios de comunicação criam uma falsa imagem do "índio" na mente da população e na opinião publica. A qual, só considera "índio" quem vive na mata e nega a presença de índio nas cidades. Mas a própria sociedade destrói as matas e roubam as terras dos "índios". Ainda madeireiros, grileiros e fazendeiros perseguem os "índios" para roubarem a terra, a madeira, minas, água potável... levando muitos "índios" não se reconhecerem para não sofrerem perseguições.

Também existe as compreensões distorcidas sobre o "índio", tratando como bárbaro (enquanto sofrem barbaridades dos civilizados), inferior, sem cultura, atrasado... Consideram a única religião verdadeira, a cristã (católica e evangélica) ou até mesmo afro por se institucionalizar (templo) e hierarquizar (várias funções).

Diante esses fatores, o movimento dos pretos começou a considerar o dia 20 de novembro como da "consciência negra". Como vimos acima, negro não é só os pretos mas os pardos (muitos são "indígenas" e descendentes). Mas o que deveria ser "consciência negra" trata de um evento para promover e dá visibilidade aos pretos. Os pardos acabam não sendo contemplados.

Enquanto, o movimento de resistência social mais antigo em funcionamento no Brasil, movimento dos povos originais ("indígenas"), fica esvaziado e sem espaço na opinião publica. As vezes, a parte da população que se reconhece parda confunde as reivindicações do movimento dos povos originais ("indígena") com as dos pretos. Clique aqui para ler.  

Para completar, o dia 20 de novembro não lembra nenhum ocorrido das etnias (povos) originais ("índio") do Brasil mas dos pretos. Essa data trata do dia que o líder dos pretos de quilombo dos Palmares foi morto. 

O dia 20 de novembro não é dia da "consciência negra", considerando os pardos, mas um evento para promover e dá visibilidade aos pretos e aqueles que se reconhecem seus descendentes na sociedade brasileira. 
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