quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Índios Payayás são Tema de Livro

Payayá de Utinga  /  Fonte: Fernando Carneiro
 A civilização ocidental usa o continente europeu como modelo. Mas não se pode afirmar que a população europeia se constitui de um único povo ou etnia (grupo humano que possui as mesmas características físicas, históricas e socioculturais)

Mais informações: ascendentes Payayá na região

Na Europa existem várias etnias com características especificas como os povos germânicos, eslavos, celtas, latinos entre outros. Ainda cada etnia se subdivide em outros grupos. Esse mesmo fenômeno cultural ocorre com a população dos índios da América, com os habitantes da África, da Oceânia e da Ásia. 

Mas a dominação das etnias europeias insiste em eliminar os povos dos outros continentes, como vem ocorrendo no Brasil, desde a invasão colonial aos dias atuais. Apenas para tomarem posse das terras. Algumas etnias indígenas do Brasil já foram destruídas totalmente e outras ainda resistem a dominação do Império brasileiro. O povo Payayá é um exemplo de luta pela sobrevivência. 

Gameleira na Praça de Antonio Cardoso
Segundo o site indiosonlines "os Payayá foram perseguidos por fazendeiros, mineradores, bandeirantes e autoridades em geral. Suas mulheres foram tomadas, estupradas, os homens foram dizimados. [...] A família que não trocava de nome sofria as sanções da polícia da época [...] a gameleira era a árvore sagrada para os Payayá. Quando foram forçados a trocar de nome eles adotaram o nome da árvore sagrada daí o nome de Yayá Gameleira". 

Alguns pesquisadores, talvez, mal fundamentados dizem que Payayá e Maracá são dois povos. Outros defendem que é um povo só. O antropólogo "OTT  (1958)  que  salienta,  em  sua  obra  Pré-História  da  Bahia,  que  os Payaya  eram,  na  verdade

"[...]  os  Maracá,  que 1586,  já são  mencionados.  [...]  Ocupavam  o  vale do  Paraguassu, a  serra  do  Sincorá,  [...]  ora  Paiaia,  ou  ainda  Maracanassu,  o  que  significa  a  grande nação  dos  Maracá.  Geralmente  os  índios  residentes  ao  sul  do  Paraguassu  eram denominados  Maracá,  sendo  os  que habitavam  ao  norte deste  rio  mais  comumente desginados  por  Payayá.  (OTT,  1958,  p.  19)"

(...) os  que devemos  buscar  conhecer são  os  indígenas  habitantes  históricos  do  lugar:  os  Payayá,  Que  MORAES  FILHO  (2002), salienta  que [...]  Sobre  os  Payayá  é  descrita  a  festa  de  Eraquidzã  ou  Varaquidrã  e  seus  pajés Visamus,  os  rituais  funerários  antropofágicos,  os  ornamentos  de  folhas  das  mulheres, o  costume  de  depilar  completamente  o  corpo,  inclusive  sobrancelhas  e  pestanas,  as plumas  de  muitas  cores (MORAES  FILHO,  2002)."

ERISVALDO  SANTOS SOUZA. MUSEU  VIRTUAL DA BATA  DO FEIJÃO: DA ROÇA PARA A ESCOLA. Uneb, 2017.

Nesta citação de OTT fica evidente que para ele Payayá e Maracá é um povo só. Se dividiram a partir da obra dele fizeram uma interpretação equivocada. Ele argumenta que, talvez, este povo recebe "pseudodenominações" apenas por causa da região que vive.


Existe muita confusão nas pesquisas sobre os povos nativos. Principalmente por não existir obras escritas pelos próprios povos nativos. Os brancos deram a interpretação conforme os próprios interesses. Tudo precisa ser analisado com cuidado e minúcia.


No município de Antonio Cardoso tem várias Gameleiras pelo território e três na praça do distrito de Umburanas, uma delas é gigante. Existe também uma comunidade próxima da Caboronga chamada Gameleira, nas margens do rio Jacuípe e próxima do distrito feirense de Ipuaçu, não se sabe se recebeu esse nome por ser habitada pelos Payayás. 

No território tem um povoado chamado Cabana velha. Segundo informações de alguns moradores esse nome origina da existência de várias cabanas dos índios que moravam no local, provavelmente, os Payaya. Ainda afirmam que na comunidade existem algumas grutas de pedras formadas pelos antigos moradores. E que algumas famílias das comunidades entre os distritos de Oleiro e Poço como Cabana e Mangabeira possuem descendência indígena.


Ainda não se sabe o local que os índios da região enterravam seus familiares, embora, se tem notícia de um cemitério em uma fazenda próximo do distrito Poço. Mas não se sabe se só enterrava índios ou negros ou se eram o local que os senhores de escravos enterravam os índios e negros que eles mataram no período colonial. 

A situação de pobreza que a maioria da população do município se encontra resulta da descendência indígena ou preta. Pois os brancos e alguns pretos tomaram posse da terra enquanto os descendentes indígenas, além de terem sua família destruída, ficaram sem nenhum meio de sobrevivência. 

As famílias que tem descendência indígena no município de Antonio Cardoso precisam reconhecerem suas origens para valorizarem sua história e lutarem contra o abandono governamental. Visando cobrarem projetos dos governos para reduzirem a situação de pobreza que sobrevivem. Além de lutarem pelo direito a terra que roubaram de seus ancestrais. Enquanto continuarem abandonando suas raízes continuarão escravos da pobreza e dominados por políticos corruptos, além de serem usados nas eleições para garantirem confortos para muitos que nem moram no município.        

A antropóloga Maria Rosário Carvalho defende que "fazia parte da política colonial reunir indígenas em missões na tentativa de convertê-los ao catolicismo e se apropriar de sua força de trabalho e de seu conhecimento. Esse confinamento em aldeamentos liberou terras de nativos para a ocupação colonial que avançou rumo ao interior. Os indígenas aldeados sofriam pressão sobre seus hábitos tradicionais, muitas vezes proibidos, sobretudo os ligados à cosmologia [explicação para a origem do universo. Os padres introduziram nos índios a ideia que o mundo foi criado pelo deus judaico-romano (cristão)]. 
No Nordeste, o governo incentivou a miscigenação em busca da transformação dos indígenas em caboclos [do Tupy, caa-boc, significa "o que vem da floresta". No português, tem vários significados, um deles se refere a uma pessoa que é filha de branco e indígena]. [...] Com o fim dos aldeamentos, essas áreas foram anexadas às vilas ou adquiridas por proprietários, e os indígenas ficaram novamente sem essas terras."

Gameleira em latifúndio de Antonio Cardoso
A etnia  Payayá habitava do litoral do recôncavo baiano à Chapa Diamantina. Atualmente corresponde aos territórios baiano de identidade Litoral Norte e Agreste Baiano, Chapada Diamantina, Piemonte do Paraguaçu, Bacia do Jacuípe, Recôncavo, Portal do Sertão e Piemonte de Diamantina. Todos os municípios desses territórios, provavelmente, tem descendentes do povo Payayá. Veja mais clique aqui.

Os Payayás sempre foram tratados na região como uma etnia extinta para garantir os interesses dos fazendeiros e da religião cristã. Hoje, os remanescentes dos índios Payayás vivem atualmente no município de Utinga, Morro do Chapéu, Jacobina, Saúde, Tapiramutá e em vários municípios baianos da Chapada Diamantina e espalhados pelo Brasil. Segundo dados do SESAI / 2011, na Bahia tem 60 índios Payayá sem contar os descendentes com brancos, pretos, ... 


Payayá de Morro do Chapéu / Fonte: Léo Barbosa
Recente foi publicado em Jacobina - BA, o livro do professor Solon Natalício, sobre os índios Payayás. Relata a presença da etnia desse povo na região do Paraguaçu. 
 
Mons. Renato de Andrade Galvão defende que "as terras do atual município de Antonio Cardoso, como todas as áreas banhadas pelo Rio Jacuípe, foram outrora povoadas pelos Índios Paiaiases. Viveram em lutas continuas e guerras de extermínio com os poderosos Maracazes que dominaram o vale do Paraguassú e as terras úmidas do Jequiriçá. Batidos pelos brancos foram recuando para as bandas de Saúde e Jacobina, legando o nome da tribo na toponimiade várias regiões, o que atesta dispersão."

É provável que todos os municípios da região de Feira de Santana foram habitados pelos Payayá. Na região do atual município de Antonio Cardoso (antigo Jacuípe, depois Umburanas), os invasores portugueses tomaram posse das terras após vencerem as guerras com os índios Payayás. 

livro sobre os Payayás


As terras da região que eram dos indígenas hoje são dominadas por políticos, juízes, promotores, delegados, médicos, advogados, igrejas...Enquanto isso os índios e descendentes sobrevivem em situação degradante. Qual autoridade dessa vai reconhecer e garantir os direitos indígena e descendentes pela sua terra? 


Os Payayás deixaram como legado na região a herança genética dos descendentes, o artesanato de barro (distrito de Oleiro), a denominação de rios e comunidades como os rios Paraguaçu e Jacuípe, o distrito feirense de Ipuaçu, etc.  As características físicas dos descendentes dos Payayás do município são parecidos com os remanescentes.

livro sobre os Payayás


 



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