sábado, 23 de dezembro de 2017

Cacique dos Ìndios Payayá Fala Sobre Vários Assuntos

Cacique Juvenal Payayá
Foto:  Juvenal Payayá
Juvenal Teodoro Payayá nasceu em 04/04/1945 em uma aldeia na Chapada Diamantina, o registrado é de Miguel Calmon-Ba, seus pais Cosme Teodoro da Silva e Ana Gonzaga da Silva tiveram como ascendentes indígenas Payayá da Cabeceira do Rio Utinga, na época, município de Morro do Chapéu; em ambiente tribal viveu sua primeira infância descalço, pelas serras, banhando no rio ou na roça ajudando os pais. Veja mais clique aqui.

Aos 11 anos, a convite de dona Maurícia, a mãe do Edilauro, viajou de trem, puxado por uma maria fumaça, pela primeira vez entre a estação das Flores, Rui Barbosa, e a estação da Calçada, em Salvador e gostou. Aos 13 viajou pela segunda vez com ‘seu’ Manoel de Maria Guedes entre a mesma estação das Flores até São Paulo. Aos 14 anos entre a estação Julio Preste e a estação de Maringá.
 
Acompanhando Chico de Zeca Marques para colher café na Fazenda Santa Terezinha em Umuarama, Paraná, na fazenda era o único que sabia ler, por isso torna-se sócio do empreiteiro. Como bom filho, retorna a São Paulo trazendo na bagagem uma larga experiência de vida aos 15 anos, sonhando alto não quer trabalhar na construção civil ou na indústria automobilística e assim ingressa no serviço público como contratado para entregar conta de água nas milhares de ruas de S. Paulo, por obra e graça da curiosidade descobre o Museu do Ipiranga e a Biblioteca Mario de Andrade, são deste tempo seus primeiros contos e poemas, e também outra significante descoberta: o Curso de Madureza Santa Ignez, aos 19 anos, onde aprende além das disciplinas curriculares, os primeiros passos da política estudantil, ingressando na luta contra a ditadura militar de 1964 chegando, como anônimo, a expor-se na luta mais aguerrida no Vale do Ribeira. 

Sempre irrequieto, apesar das idas e vindas, não se afastando por mais tempos do convívio dos pais, nos anos 70 surpreendeu a todos ao ser aprovado no vestibular da USP, o choque cultural foi marcante, abandona então a USP sem concluir os estudos de História e regressa definitivamente para a Bahia – lugar de índio é na aldeia –, sua aldeya natal. Como aluno de Economia da UEFS ajuda a fundar o Diretório Acadêmico de Economia Onestino Guimarães tornando-se seu primeiro presidente, depois ainda conclui o curso de Educação na UNEB e se especializa em Administração. No ramo editorial foi um profissional bem sucedido, torna-se pequeno empresário, ramo que abandona para dedicar-se a educação, à leitura, escrever textos.

Abraça a causa Indígena e a luta incansável pela afirmação do povo Indígena Payayá. Como professor atuou em diversas cidades e escolas. Para citar as instituições mais recentes: Colégio Senhor do Bonfim, Faculdade Vasco da Gama, Faculdade Unyhana, Fundação Visconde de Cairu e Faculdade Dois de Julho todas em Salvador. 

Finalmente, com muita sobriedade, é convidado pelo povo Payayá e empenha-se como Cacique não só à frente da resistência da cultura do povo Payayá, como procurando contribuir na luta da resistência histórica. 

Em 2010 ajuda a fundar o grande movimento indígena MUPOIBA- Movimento dos Povos e Organizações Indígena da Bahia participando da primeira coordenação como diretor financeiro.
 
Foi membro do Conselheiro Estadual de Educação da Bahia – CEE-BA e do Conselho Estadual dos Direitos dos Povos Indígenas do Estado da Bahia –COPIBA.

Abaixo segue uma entrevista feita pelo artista Valdeck. 

JUVENAL PAYAYA É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS
Juvenal Teodoro Payayá não sabe bem a cidade onde nasceu. É que as constantes emancipações dos distritos, gerando divisões políticas dos territórios torna o registro de nascimento dele em uma mentira, segundo palavras do próprio escritor. E ele explica: “veja: o “Maracaiá” aldeia quando nasci, era distrito do Morro do Chapéu, depois Miguel Calmon, depois Várzea Nova; Cabeceira do Rio onde fui concebido e criado, hoje é Utinga, mas, já foi Morro do Chapéu, e assim por diante. Portanto, resolvi simplificar as coisas e digo para todos que Sou chapadeiro, sou um cidadão nascido na Chapada Diamantina e pronto!
 
A primeira infância foi numa aldeia isolada, aos 12 anos, na maior comoção migratória interna do país, quando Payayá foi parar no Sul Maravilha – rumo ao sul. Aos 14 anos se tornou operário da construção civil, tecelão e metalúrgico. Depois de um concurso público [tipo reda] foi ser entregador de conta de água. Conheceu São Paulo mais que taxista e também muita gente famosa: Assis Chatobreand, Chacrinha, Mazzaropi, Hilário Torloni, vice governador de São Paulo e a família Poletto, a quem Juvenal diz dever amizade até hoje, devido a incentivo aos estudos. Entrou no supletivo Santa Inez, que era a sensação da época, onde também estudavam Boris Casoi, prof. Yromi Nakata, o ex deputado Paulo Kobayashe, o Pastor depois deputado Edgard Martins. Através de muito esforço, as orações de dona Ana e a sorte, em prazo curtíssimo terminava o “madureza” de primeiro e segundo graus. Prestou vestibular e passou ao mesmo tempo, na FMU para Direito e História na USP, advinha qual escolheu?
 
De operário da construção a operário do livro. Foi o primeiro despertar: não só os vendia, lia-os todos. Trabalhou na Theor,  Editorial São Paulo, Lello, enciclopédia Barsa, Revista Pedagógica Brasileira e, finalmente, de 1974 até 1993, na Editoria Ática, através da qual voltou para a Bahia, ajudando a estruturar a Scipione.
 
VALDECK: Quando e onde nasceu?
JUVENAL PAYAYÁ: Nasci no início do outono de 1945, dia 4 do mês 4,  pelas mãos de Soledade, parteira de fama do sertão, madrugada de uma quinta-feira chuvosa. O "Maracaiá", gato pintado em tupi, era uma aldeia isolada, hoje na confusão dos municípios não sei a qual cidade ela pertence, por isso limito-me a dizer que sou cidadão da Capada Diamantina. 94 dias depois desta data, acabava a Segunda Guerra Mundial e, para meu pai, eu vim trazer a paz.
 
VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
JUVENAL PAYAYÁ: Sim, Bahia e Sergipe conheço praticamente todas as cidades, Minas, São Paulo e Paraná conheci muito bem seu interior. Tenho vontade de conhecer a grande selva amazônica, incluindo parte das Américas: Venezuela, Peru, ir a Machu Picchu, ver de perto o legado das civilizações Inca, Maia, o México. Claro que vislumbro conhecer a ilha de Ítaca, reino do grande Odisseu, ir a Espanha, especialmente Palos - de onde partiu Colombo - buscar a inspiração para melhor contar em versos o massacre dos ameríndios.
 
VALDECK: quando começou a escrever e onde?
JUVENAL PAYAYÁ: Meu primeiro artigo foi publicado em um jornal de Santo André-SP; era uma crítica mordaz à ditadura, o texto era ingênuo, panfletário, apesar da sinceridade não tinha qualidades, depois mandei outros que o jornal não publicou; escrevi para outros jornais nanicos da época: de Jacobina e de Minas, nunca guardei um recorte e, finalmente, na revista ArtPoesia. Meu primeiro livro foi os “Tupinikim – versos de índio”, os 1000 exemplares esgotaram em menos de dois anos, daí em diante lancei mais seis outros livros, em média de 400 exemplares por edição, menos “O Filho da Ditadura”, edição de 1000 exemplares, os outros estão esgotados.
 
VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
JUVENAL PAYAYÁ: Se tiver de me considerar escritor, serei um escritor indígena, escrevo minhas inquietações em versos e prosa. Meu poema tem um tema: é a questão indígena. Além dos livros publicados, escrevi alguns ensaios e próximo de 400 poemas. Fora os intimistas, feito para a mulher amada, os demais são sobre a terra, o arco, a flecha, Tupã, a Chapada Diamantina; dedico muitos poemas aos opressores do povo indígena. O último livro “O Filho da Ditadura”, um dos filhos da ditadura é também um indígena.
 
VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
JUVENAL PAYAYÁ: Claro que eu penso nas pessoas. Acho que desprezar o leitor é escrever para ninguém, o nariz em pé pode encharcar com a chuva. O que não faço é correr atrás de temas que agradem ao leitor, isso é tarefa para profissionais, jornalistas, novelistas e escritores de paradidáticos.
 
VALDECK: O que mais gosta de escrever?
JUVENAL PAYAYÁ: Gosto de escrever romances, porém, sinto no romance uma carga pesada, depende de tempo, planejamento, suporte teórico para as críticas, a correção, pesquisa, volumosa leitura e fôlego de nadador. Estou com um romance escrito há oito anos e não tenho fôlego para retomar seu enredo, ou seja, rever o papel de personagens por personagem, refazer as falas, os ambientes. No romance mudar a cor dos olhos de um personagem pode comprometer a sequência e episódios distribuídos por dezenas ou centenas de páginas. Não que escrever poema seja simples, acho o poema coisa do espírito, por isso independe da vontade do poeta, mesmo assim temo dizer que tenho algum poema pronto.
 
VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
JUVENAL PAYAYÁ: Às vezes é no impulso, acordo pela madrugada para completar o texto e às vezes durmo sobre o texto. Gosto de silêncio, a calma da janela aberta contribui para a sensação de liberdade, me ajuda pensar.
 
VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
JUVENAL PAYAYÁ: Não gosto de tudo o que produzi, como acredito na ancestralidade, credito as coisas boas aos ancestrais, gosto do poema Temática: 

 
TEMÁTICA

Meu poema não vive
Em mundo puro e acabado,
Vedado a cimento, caiado,
Prefere a junta entre seixos;
 
Meu poema passa frio e fome
Come, é persistente;
Meu poema não acaba
Com o nascer do dia;
 
Antes do ponto final,
Estendo fundo o olhar
Para ver mais um poema
Enxaguando em janelas
 
E diante da ambiguidade
Delas, brota o verso na razão
Direta e pura como flecha
Que atinge o coração,
 
De algumas janelas acenam,
Outras acusam o poema
E se fecham na escuridão.
Meu poema tem um tema!
 
VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
JUVENAL PAYAYÁ: Mudei muito, antes produzia como pão no forno, agora reescrevo até a exaustão, acabou a pressa, devo em parte a alguns leitores, é compromisso com o leitor.
 
VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
JUVENAL PAYAYÁ: “Negócio na Periferia” é meu primeiro “longa folhagem”, 220 páginas. Em dois anos de atividade intensa, eu ia para as ruas construir os personagens, aquela coisa do empresário buscar na periferia o servente, seu mestre de obra e depois comer a filha dele, a índia urbana se prostituindo, isso me doía na alma, sabe; a trama e a ficção colidindo na minha cara, se completam; em o “Filho da Ditadura” trabalho sobre um tempo que convivi; estive na luta direta, entre pesquisas, imaginação, invencionice e muito quebra cabeça, lá se foram mais dois anos; diferente, no entanto é “A Prostituta de Alexandria” ou “DQVPM”, persigo o endereço do prostíbulo palaciano, a podridão nos bastidores dos palácios, a corrupção. Para completar o livro necessito de informações secretas, e precisava estar infiltrado no meio; este livro está pronto, mas  a história não acabou, há oito anos que trabalho nele.
 
VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
JUVENAL PAYAYÁ: Minha vida acadêmica foi penosa e tumultuada. Analfabeto até os 17 anos, fiz primário e madureza, aos 23 era estudante de História da USP, as responsabilidades pela vida me fizeram abandonar a USP, mas não a história, me reencontrei na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), completando Ciência Econômicas, depois na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em educação, depois duas Pós e parei aí.
 
VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
JUVENAL PAYAYÁ: Tenho dificuldades para enumerá-los. Gosto dos clássicos, Homero, Ovídio, a Bíblia, Camões, gosto de Kafka e Walter Benjamim, leio Marx e Marilena Chauí, Jorge Amado e Adonias, Murilo Mendes, Graciliano, Neruda, Fernando Sabino, detesto a apologia colonialista do Fernando Pessoa, sou amante da poesia baiana contemporânea, gostaria de ter tempo para frequentar as rodas e ler mais esta coisa boa. 
 
VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
JUVENAL PAYAYÁ: Ler, ler, ler e depois planejamento, e escrever, reescrever até cansar. Se eu não tivesse o planejamento e o volume de leitura – leio todos os dias - acompanhado da teimosia, não escreveria um bilhete, minha letra é ilegível, uso óculos, porém sou determinado, tenho método para ler. Quando pego um livro, primeiro conto as palavras, sei calcular o tempo que vou precisar para ler e persigo -, precisei de 39 horas para ler Ulisses, de Joice -, obedecendo ao plano; se nada me interromper, cumpro a tarefa no tempo previsto.
 
VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
JUVENAL PAYAYÁ: Juvenal é meu nome de batismo, Payayá de meu povo. Quando descobri que a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) promoveu a extinção dos Payayá adotei o nome, incorporei na alma, ou seja, Payayá é mais que um nome, muito além do pseudônimo, é o nome de um povo resistente, o povo indígena Payayá.
 
VALDECK: Como foi a tua infância?
JUVENAL PAYAYÁ: Nasci no coração da Chapada Diamantina, meu pai era agricultor, aprendeu ler sozinho, e lia obstinadamente com uma lasca de candeia embebida em cera de abelha, muita luta pela vida, mesmo assim fui feliz até os onze anos, quando a ilusão do sul-maravilha me arrematou de meu chão.
 
VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
JUVENAL PAYAYÁ: Desde a juventude fui um cara engajando, tive a vida dividida entre o trabalho intenso, a família, as questões políticas, as questões sociais e a literatura, porém, gosto de diversão, gosto de dançar e viajar, uma roda de Toré, um bom papo ao redor de uma mesa, odeio a fome, “tô” sempre pronto pra matar uma.
 
VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
JUVENAL PAYAYÁ: No lançamento de “Os Tupinikim” fiquei com cara de mãe parida, muitas alegrias. Li com satisfação o “Poemas para os Clássicos”, traduzido para o italiano; o poema “Seios”, declamado na Cantina da Lua; a comunidade brasileira na Alemanha publicou “Para Além do Borjador”, um texto significativo. A vaidade é pior que o câncer, contamina!
 
VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
JUVENAL PAYAYÁ: Sou professor, lecionei matemática, filosofia, sociologia, economia e pesquisa operacional. Para um índio da Cabeceira do Rio é uma prova que ao índio basta primeiro garantir a unidade com auto sustentabilidade do seu povo e acesso às oportunidades.
 
VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
JUVENAL PAYAYÁ: O preconceito é um fel contra o povo indígena, é a morte, a pior lástima. O pecado original. A ganância. Que diríamos de um neto que rejeita seus avós? Pois é esta a sociedade em que vivemos! Digo desta sociedade que se apossou das terras alheias, as terras das Américas, finge que nada sabe sobre os crimes hediondos, por motivos torpes praticados por seus antepassados. Meus escritos têm objetivos de relatar as dores que estão dentro do coração dos vencidos.
 
VALDECK: Qual sua Religião?
JUVENAL PAYAYÁ: Pelos relatos bíblicos Cristo sofreu o preconceito de um povo - que se dizia povo de Deus – foi desprezado até a morte horrenda, mas sua imagem vive. Com este acreditar que luto. É a mesma arma preconceituosa que aplicam contra os índios, o ódio, a ira, a destruição, a falsidade, a violência, tudo em nome de Deus, ou do diabo!
Gosto da mensagem do cristo através da natureza... talvez Xamã.
 
VALDECK: Quais seus planos como escritor?
JUVENAL PAYAYÁ: Ser reconhecido em vida como escritor indígena, aquele que se dedica à causa de um povo dado como exterminado.
 

 Produção Literária


AMÉRICA INDÍGENA (Dedicado a arqueóloga Niede Guidon)






Sou Américas Chapada indígena
Bolívia, chilena, Mawé,
Kaik, guarany, sou canibal
Mascando coca, raiz de jurema,
Licuri, açaí, bacuri, berimbau;

Vive os Andes! sou Arauá de Cuba,
Ameríkua de Aruba, sou kiryry
Milênios, sou Paraguay,
Sou Peru, Ilhéus sou Malvinas;
Vinho de mangaby, macaxera, kaûi.

Missões: restam dor e mágoa!
Marajó, lá onde Eva foi coberta
Em lençóis do Maranhão,
Vigiada pela capivara
Do Museu do Homem Americano;

Eclodem canhões no sul,
Tomba exangue um guarany;
O corpo de Chicão Xukuru
E a Daniela Truka
Galdino ardendo, sou Hãhãhãe!

A língua tupy é bela,
Excitante é a Capivara,
Serra da mais velha fogueira
Ante mesmo de Clóvis
Causando inveja na América.

Tiaraju, Ajuricaba e Mandu,
Zapata, Cayúby, Aimbaré
Juruna, Niéde Guidom, juremeté
Lagoa Santa Luzia e
São Raimundo Nonato;

Ato falho – grata Bahia
De Todos os índios e santos,
Hora de todos os brancos
Netos de todos os gringos,
Mandando em todos nós

Oh! Meu rei tupinambá.
Deus salve o oratório,
O terreiro de Jesus,
A mandinga da kaatinga
Refúgio e berço Payayá,

Da invasão das Jacobinas,
Da francesa, a holandesa,
A paulista-sírio-libanesa
Da espanhola à portuguesa.
“Essa terra tem dono!”
É indígena, com certeza!




  Fontes

http://mapadapalavra.ba.gov.br/juvenal-payaya/

https://www.recantodasletras.com.br/entrevistas/3408257

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