quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

JACUÍPE (Santo EstêvãoVelho)

Existe controvérsias quanto a expressão Jacuípe, de origem indígena, do Tupi , Jacu: espécie de ave craciformes - y: rio - pe: no, significa “no rio dos jacus”. Outros dizem que o nome vem de Jacuhy, jacu-y, que quer dizer “rio dos jacus” e pode também proceder de Yacui, o “rio enxuto” ou “rio temporário”. Nas margens do rio Jacuípe existe uma àrvore conhecida na região por JACU, por isso, alguns dizem ter havido floresta nativa de ipê, às margens do rio jacuípe, justificando assim a sua denominação.

O distrito de JACUIPE (Santo Estevão Velho) foi criado pelos invasores portugueses. Os documentos antigos de 1655 tratam da Sesmaria de Jacuípe ou terra "por entre os dous Ryos Paraguassú e Jacoippe the suas nascenças". Sendo desbravado por João Lobo de Mesquita e povoado com "Gados, e escravos, criados, e moradores" por João Peixotos Viegas. Só depois os jesuítas chegaram e se instalaram na região. Foi considerado como um dos primeiros distritos da Vila de Cachoeira, embora, ainda não foram encontrados os livros de atas da instalação da capela. Veja relato na íntegra do documento encontrado no Museu Casa do Sertão, da Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS. Maiores detalhes clique aqui.


“Certifico em cumprimento ao despacho retro que revendo o livro nº 257 de Provisões Reais, do período de mil seiscentos e cinqüenta e quatro (1654) a mil  seiscentos e sessenta e quatro (1664), nêle encontrei às fôlhas quarenta e sete (47) o registro da Carta de Sesmaria de João Peixoto Viegas, cujo teor é o seguinte: Registro de Outra Carta de Sesmaria de João Peixoto Viegas. Dom Jeronimo de Attayde Conde de Athoguia Faço saber aos que esta Carta de Sesmaria virem, que  João Peixoto me inviou areprezentar a petição cujo theor he o Seguinte/ Diz João Peixoto Viegas, que de cinco annos a esta parte tem povoado com quantidade de Gados,gente e Escravos, as terras que chamão  de Itapororocas e terra nova de Jacoipe nos Limittes da Cachoeira termo desta Cidade: as quaes elle Suplicante, houve por titullo de Compra de João Lobo de Mesquita estando despovoadas e inabitadas havia vinte annos pelos asaltos e mortes que nellas havia feito, e fazia muitas vezes o gentio bravo: e elle João Peixoto Viegas as povoou de Gados, e escravos, criados, e moradores, com armas e Cazas fortes de Sobrado de pedra e Cal, e huma Igreja no que tem feito muitas grandes despezas de Fazenda e dado muito crecimento, as Rendas de Sua Magestade e Segurança aos moradores que lhe são vizinhos, e por quanto, o gado vai em crescimento, e não bastão para apascentalho as ditas suas terras, e nas Cabiceiras dellas para o poente, e Noroeste, que ficam entre os Ryos de Paraguassú, e Jacoipe the suas nascenças, tem noticia haver entre as grandes Serras, e mattos inuteis, que ali se estendem, alguns Campos que podem aproveitar, e povoar os quaes nunca athe estedia penetrou gente branca, nem forão sabidos, e estão divolutas pelas grandes Catingas, e dificuldades de Serras e mattos que os Cercão, e principalmente sugeitas do gentio bravo, que as não deixar entrar, nem descubrir, e elle Suplicante o tem feito nas que comprou, e fará também nestas porque tem Cabedal, e fabrica para o conseguir, inda que com grande trabalho e despeza: no que receberá o bem como desta Republica, conveniência, e utilidade, e as Rendas de Sua Magestade acressentamento. Pede a Vossa Excellencia lhe faça mercê em nome de Sua Magestade dar lhe de Sesmaria, e por devoluta, e nunca povoado toda a terra que assim se achar, e houver porentre os dous Ryos Paraguassú e Jacoippe, ficando os ditos Ryos por limite, e demarcação, o Paraguassú da banda do Sul, e o Jacoipe  pella do Norte, e nascente entrar no mesmo Paraguassú, com todos os Sacos enseadas, voltas, e recantos, águas, mattos, e Salinas, que dentro dos ditos Ryos e acharem-lhe suas nascentes. E receberá mercê. E vista a informação que sobre a dita petição me fez o Provedor da Fazenda Real deste Estado que he a seguinte. As terras que pede o Suplicante são inúteis, e se nellas descobrir alguas, que povoas será muito Serviço de Sua Magestade, e aumento de sua Real Fazenda, e para o fazer tem Cabedal, e posses, e não prejudicando a terceiro, pode Vossa Excelencia sendo Servido conceder-lhe a Sesmaria que pede em nome de Sua Magestade. Bahia dous de Abril de mil Seis Centos Cincoenta e Cinco Matheus Ferreira Vilas Boas, e os Capitullos do regimento sobre as Sesmarias, que nestas hey por expraçados constar do Cabedal do Suplicante digo do impetrante e o particular Serviço que fará a Sua Magestade, e beneficio a esta República em cultivar aquellas terras. Hey por bem e lhe faço mercê em seu Real nome dar de Sesmaria toda a terra que se achar, e houver, por entre os dous Ryos Paraguassú e Jacoippe the suas nascenças, assim e da maneira que pede e confronta na petição asima incerta, com todas as suas agoas, pontas enseadas Campos, madeiras, testadas e Lougradouros as quaes lhe dou livres, izentas e desempedidas, de foro, tributo, ou penção alguma Salvo o Dizimo a Deos, que pagará dos frutos, e criações que nellas houver, e por ellas será obrigado a dar Caminhos Livres ao Conselho, para fontes, pontes, e pedreiras como lauzulla de não prejudicar a terceiro, e portanto a mulher, filhos, e mais herdeiros de Miguel de Figueredo, me reprezentarão por huma petição, firmada por seu procurador bastante Antônio Fernandes Roxo, o Luiz de Figueredo, filho do mesmo Miguel de Figueredo, como tinhão vinte legoas de terra em quadra do pé da Serra de Sacuabina para o Norte, e para o Leste das quaes pertencião a mettade ao Capitão Bernardo Vieyra Ravasso, a qual não estava povoada, nem tinhão tomado posse, assim por sua morte, como pello impedimento do Gentio Barbaro que hora se evitara; e entenderem, que lhe podia prejudicar esta data me pedião mandasse declarar na Carta della, que se concedia ao impetrante não prejudicando as suas vinte Legoas de terra. Hey por bem de declarar, que terá effeito esta prezente Carta, não prejudicando a referida data de Luiz de Figueredo sem embargo de não haver tomado posse della  pelas sobreditas causas Pelo mando aos Officiaes de Justiça os que lhe toca lhe dem a posse real effectiva, e actual, e aos Ministro e Justiças a que o conhecimento desta com direito pertencer, a cumprão e fação cumprir e guardar tão pontual e inteiramento como nella se conthem, em dúvida embargo, nem contradição algua alguma. Para firmeza do que lhe mandei passar aprezente submeu Signal e Sello de minhas armas a qual se registrara nos livros a que tocar. Manoel Velho Seixas a fez nesta Cidade do Salvador Bahia de todos os Santos em osdez do mez de Abril Anno de mil Seis Centos Cincoenta e Cinco Bernardo Vieyra Ravasso, o fiz escrever/ O Conde de Athoguia/ Por despacho de 5 de Abril de 1655. Registese nos livros da Fazenda. Bahia 18 de Abril de 1655 annos Ferreira. E em 19 do dito mez e anno se registrou. Gonçalo Pinto de Freitas."


Segundo os documentos antigos sobre a região, os índios eram bravos, por isso, décadas anteriores a chegada dos padres já se indicava a necessidade de serem catequizados, para que tornassem obedientes aos invasores.   

Pela cronologia histórica, a imagem do santo Estevão é padroeira do distrito de JACUIPE (Santo Estevão Velho) e do território do atual Município de Antonio Cardoso - BA.

Veja o trecho abaixo do livro “Santuário Mariano e História das Imagens Milagrosas de Nossa Senhora” publicado em Portugal (Lisboa) no ano de 1722, refere-se ao atual território do Município de Antonio Cardoso-BA. Ressalta aqui o valor histórico do documento enquanto a questão religiosa é desprezível.

“TITULO CXIII
DA IMAGEM DE NOSSA SENHORA DO ROSARIO DE JACUIPE (hoje Santo Estevão Velho)


Igreja católico de Jacuipe
Jacuipe (hoje Santo Estevão Velho) he hum lugar do Certão da Bahia, que dista della vinte, & duas legoas, & da sua Paroquia da Senhora do Rosario da Cachoeyra oyto, porque a ella pertence. Neste sitio levantou o Padre Joaõ de Aragaõ & Araujo hua Ermida, que dedicou a Santo Estevaõ no anno de 1690. Nesta Ermida collocou depois a devoçaõ dos Pretos cativos huma Imagem da Mãy de Deos com o titulo do Rosario, que he o titulo, a que elles saõ mais cordialmente affeyçoados. Esta Santissima Imagem se vè no Altar mòr daquella Ermida, & nelle a collocáraõ no ano de 1707. He esta Sagrada Imagem muyto pequena, porque naõ passa de dous palmos; mas está com muyta devoçaõ, & com o ornato de manto de seda, & ... Tem sentado sobre o seu braço esquerdo ao Menino Deos e como he muyto moderna, ainda quando se me deu a noticia della, que seria pelos annos de 1714 ainda os Pretos lhe naõ haviaõ feyto festa, & seria porque elles naquelle sitio não seriaõ muytos, & por cativos muyto pobres, & assim da sua muyta pobreza nascerá o naõ lhe poderem fazer festa particular.” 

MARIA, Frei Agostinho de Santa. SANTUÁRIO MARIANO e Historia das Imagens Milagrosas de Nossa Senhora. Salvador: Imprensa Oficial da Bahia, 1949. p. 152 e 153.
O Jesuíta João de Aragão e Araujo trouxe a imagem do santo dos Conventos de Cachoeira-Ba, por volta de 1690, para a região da margem esquerda do Paraguaçu. Embora, a igreja católica não reconhece como paroquia. Visando esconder as manobras feitas pelos padres que desviaram a história local para a atual cidade de Santo Estevão.  

Os administradores da Igreja Católica abandonaram o atual território, na primeira metade do século XVIII - mudando a Sede para a atual cidade de Santo Estevão - e retornou um século depois (mas não instalou morada fixa do pároco no território, isso só veio ocorrer na primeira década do século XXI).

Na época a propriedade passou ao patrimônio do celebre Seminário de Belém em Cachoeira, como Sesmaria religiosa. Depois de 49 anos da imagem presente no local, foi deslocada em 1739, pelo Padre José da Costa Almeida para o lugar chamado Adro (atual cidade de Santo Estêvão). Provavelmente, alguns moradores da 1ª capela buscaram a imagem para o local anterior. 

Na época, os administradores da igreja católica providenciaram outra imagem do santo diferente da primeira e criaram uma 2ª capela no Adro, sendo elevada à Freguesia com o nome de Santo Estêvão do Jacuípe (novo) em 1752, toda a região ficou em seu domínio. A 1ª capela passou a chamar Santo Estêvão Velho, ficando desativada. 

Em 1823, o vigário de Santo Estêvão do Jacuípe (Adro ou atual cidade de Santo Estevão) fez o pedido ao Arcebispado da Bahia, para criar a capela de Nossa Senhora do Resgate, visando administrar o território da capela de Jacuípe (Santo Estêvão velho). 

O distrito foi criado com o nome de Freguesia de Nossa Senhora do Resgate das Umburanas, pela Resolução Provincial nº 183, de 10 de abril de 1843, sancionada pelo Presidente da Província da Bahia, Joaquim José Pinheiros de Vasconcelos. Foi instalado e elevado à condição de Freguesia através da Resolução do 17º Arcebispo da Província da Bahia Dom Romualdo Antonio de Seixas, com a denominação de Nossa Senhora do Resgate das Umburanas e continuou na condição de filial da Freguesia de Santo Estêvão do Jacuípe (Adro ou atual cidade de Santo Estevão) até 1876.
 

A partir de 1876, a Freguesia Resgate ficou sob posse da Freguesia de Nossa Senhora Santana e em 1884, passou para a administração da Freguesia de São Gonçalo do Amarante (hoje cidade de São Gonçalo dos Campos). Em 1938, denominou Uberlândia e em 1943, Tinguatiba. 

Em 14/04/1963, foi elevada à categoria de Município emancipado de São Gonçalo dos Campos com a denominação de Antonio Cardoso (prestigiando apenas uma família do município). O território da capela de Jacuípe (Santo Estêvão Velho) voltou a ser dominado por seu “inimigo” vizinho como Comarca Jurídica de Santo Estêvão (ex - do Jacuípe ou Adro) a partir de 1966, com sua criação até os dias atuais.

A comunidade de Jacuípe foi ratificada pelo governo municipal, através da Lei Municipal nº 030/99 de 03/08/1999, como distrito do atual Município. No entanto, não se sabe se alguma lei antes não reconhecia como unidade administrativa, até mesmo, de Cachoeira. Apesar que no período do Brasil Colônia muitas comunidades não precisavam ser reconhecidas por leis, bastavam o apoio da Igreja Católica. Uma coisa é certa, independente de Leis, a comunidade de Jacuípe é a pedra histórica de colonização da região.
1ª Igreja Histórica do Território
do Município de Antonio Cardoso-BA
e da margem esquerda do Vale do Paraguaçu                          
Igreja de JACUIPE (Santo Estêvão Velho)
Estrada da Comunidade de Salgado


Avenida do distrito de JACUIPE (Santo Estêvão Velho)

Principal Colégio do Município  e do distrito de JACUIPE (Santo Estêvão Velho)  em quatidade de estudante    

Capoeira 

Construções no distrito de JACUIPE (Santo Estêvão Velho)

Entroncamento do distrito de JACUIPE (Santo Estêvão Velho) na BR116 Sul 


Mercado do distrito de JACUIPE (Santo Estêvão Velho)
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