domingo, 20 de dezembro de 2015

A Seca e a Poluição do Rio Paraguaçu

Continue em silêncio e morra bebendo esgoto
O Rio Paraguaçu, um dos mais importantes de toda a região nordeste do Brasil, tem sido constantemente ameaçado pela poluição e pelo desmatamento. Em seus 614 quilômetros de extensão o curso d’água tem que superar verdadeiros desafios até chegar ao mar. O rio Paraguaçu, maior rio genuinamente baiano, cada vez mais mostra esgotamento.
O descaso com o rio Paraguaçu se arrasta há décadas. Desde os governos do grupo de Paulo Souto e agora com o governador Wagner, quase nada se realizou para preservar uma fortuna que a natureza nos deu gratuitamente. Cinco milhões de pessoas dependem das águas da bacia do Paraguaçu. O rio fornece água para o Recôncavo, a grande Salvador, a região metropolitana de Feira de Santana e outras cidades ribeirinhas.

O nível de poluição da água do Paraguaçu começa preocupar os moradores ribeirinhos, porém os órgãos governamentais continuam escondendo. Inclusive segundo informações o governo articula a construção de cisternas para evitar que os moradores usem a água do rio no consumo diário. A concentração de poluição na água pode causar várias doenças ao homem e também aos outros animais que consumirem. Já se tem notícia que ocorreu mortandade de peixes na Bacia do Paraguaçu. A água do Paraguaçu tornando imprópria para o consumo humano, onde as pessoas de baixa renda da região encontrarão este recurso indispensável para a sobrevivência? Os empresários e os governantes podem comprar água mineral. Só se olham para o valor do Paraguaçu nos períodos de seca ou nas campanhas eleitorais. Com a poluição e a devastação de matas ciliares a morte do rio Paraguaçu está cada vez mais próxima. A caatinga e a Mata Atlântica continua ameaçada na região.

A iniciativa dos sucessivos governos da Bahia e dos municípios que localizam próximo ao rio Paraguaçu sempre foi de desprezo com o leito do rio. O pior que tanto o governo do estado da Bahia, quanto as prefeituras tem deixado a situação se agravar. Isto, já se tornou rotina dos governantes brasileiros para superfaturarem com o processo de revitalização e ganharem eleições. Ultimamente, com a criação da região metropolitana de Feira, tudo indica que a concentração de esgoto no rio aumentará. Com a poluição até a pesca será proibida. Surge várias promessas de preservação do rio, seja em campanhas eleitorais ou de governos constituídos, mas na prática não se concretizam.
Revitalização do Paraguaçu no Município de Cachoeira/BA
No mês passado, o prefeito de Cachoeira/BA, iniciou o processo de revitalização do rio no seu território. "Vamos continuar trabalhando até deixar as margens do Paraguaçu em condições para que a própria natureza se recomponha", garante o prefeito Carlos Pereira. Segundo o prefeito, para revitalizar o Paraguaçu ainda é preciso executar um projeto de drenagem do leito. Ação que necessita de grandes investimentos e, portanto, depende de parceira com os governos federal e estadual. "O município sozinho não tem condições de executar esta obra no rio, já ameaçado de assoreamento em vários pontos", admite Carlos Pereira.
O rio Jacuípe, um dos afluentes do Paraguaçu, recebe esgotos das cidades de Feira de Santana, São Gonçalo dos Campos, Conceição da Feira, Antonio Cardoso, entre outras e canaliza para o Paraguaçu. Entre os principais tipos de lixo destacam-se: garrafas e sacolas plásticas, carcaças de animais, calçados, vasilhames de vidro, copos descartáveis, produtos químicos, móveis, eletrodomésticos e brinquedos quebrados. A água do rio Paraguaçu é contaminada com agrotóxicos usados por fazendeiros e agricultores da região - como os venenos usados na plantação do fumo, resíduos industriais, produtos altamente tóxicos e cancerígenos dos esgotos. Alguns destes produtos são vendidos ilegalmente nos comércios das cidades do entorno. Principalmente no comércio de Feira de Santana. Sem contar que a fiscalização tanto do estado quanto das prefeituras não conseguem controlar o comércio ilegal destes produtos ou por omissão, para não desagradar os empresários, ou por os órgãos de fiscalização servirem apenas como agência de empregos para os políticos. Até os principais meios de comunicação tem se calado para não perderem os anuncios que vendem aos governantes. Existe a SOS Paraguaçu, coordenada pelo ambientalista Carlos Romero, que vem lutando pela preservação do rio. Mas a ONG sozinha não consegue frear a arrogância de fazendeiros, empresários e governantes a população que necessita da água precisa ajudar na defesa do Paraguaçu.
O rio Paraguaçu foi a principal via de transporte e comunicação de toda a região no passado. Atualmente alguns políticos, como o deputado Sérgio Carneiro, vem discutindo o reaproveitamento econômico do mesmo – seja com hidrovias, criatório de peixe e camarão, irrigação e turismo ecológico. Espera-se que não vise apenas a exploração econômica, mas também a garantia que não transforme o rio em um esgoto. Preservar o Paraguaçu é uma obrigação de todos que dependem dele: do governo do estado, das cidades ribeirinhas, que não tratam o esgoto, dos moradores que sujam o rio, dos produtores, que usam a irrigação, dos turistas, que frequentam as belas paisagens do rio. Esse rio tão importante para a Bahia merece o respeito devido.

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