sábado, 20 de março de 2010

Isolamento Geográfico Ameaça Cidade

Desde o início da ocupação da atual região do Município de Antonio Cardoso pelos portugueses o local da respectiva cidade já sofria as conseqüências do isolamento com as cheias dos rios Jacuípe e Paraguaçu. Antes o que ajudava no deslocamento de um lado para o outro era as técnicas de navegação dos nativos.
A atual localização da cidade de Antonio Cardoso dificulta a integração da economia do município na região. Assim as trocas comerciais ocorrem internamente apenas entre seus moradores com baixo poder aquisitivo. Fragilizando a circulação de dinheiro na economia local e dificultando a geração de emprego. Além de dificultar a arrecadação de impostos agravada com os governantes locais pagando para outras cidades vizinhas. Essa situação piorou depois da construção da barragem de Pedra do Cavalo, hoje hidrelétrica, por inundar a região em torno da cidade ficando intransitável. Nas décadas de 1970 e 1980, ainda existia balsa que deslocava os comerciantes do sertão para o recôncavo, dando acesso de passagem pelas margens dos rios Jacuípe e Paraguaçu. O Ferry boat como era chamado, interligava Antonio Cardoso a Conceição da Feira. Foi instalado pela antiga COELBA (Companhia de Eletricidade da Bahia) sob administração da CHESF (Companhia de Eletricidade do São Francisco). Depois abandonaram e até hoje nenhuma satisfação é dada aos seus moradores. O próprio governo do estado da Bahia que administra a estrada estadual BA da Ilha de Campinhos que dá acesso ao porto do Ferry boat não tem demonstrado interesse em solucionar a situação. Também existia Balsa no Porto da Mandioca na comunidade de Barra do Paraguaçu que interligava o Município ao Jordão (distrito de Cabaceiras do Paraguaçu).
Vale lembrar que a interligação da BR116 com a BR 101 pelo Jacuípe encurtaria o percurso para os que passam na região em direção a BR101 em torno de 40 Km. Isso refletiria em economia com combustíveis, fretes, outros encargos e diminuiria o tráfego da BR116 sentido Feira. Ainda unificaria a região do Paraguaçu favorecendo com o escoamento da Produção local.
A cada dia a cidade de Antonio Cardoso vê seu destino ameaçado pelo isolamento das inundações da Hidrelétrica de Pedra do Cavalo que deixou a economia do município fora da rota comercial na região do Paraguaçu, causando atrofiamento econômico e social. Por outro lado, mesmo que instale balsa para interligar as BRs sua economia não terá grande impulso desenvolvimentista espontâneo por a via não ser permanente e vez em quando, ocorrerão interrupções do serviço. Quebrando o ciclo econômico. E seu pequeno número de habitantes não favorece ao aquecimento do mercado consumidor reiterado com seu baixo poder de compra. Jamais os moradores da região norte do território (Cabeceira) deslocarão das proximidades de Feira de Santana, do Adro (Santo Estêvão novo) e da BR116 para residir na Sede isolada dos principais serviços de saúde, qualificação profissional, jurídico, transporte, etc. Pelo contrário há muito tempo tem migrado para outras cidades por falta de sobrevivência e nas últimas décadas intensificou mais.  
Com ou sem o canal de acesso ao recôncavo pelos rios Paraguaçu e Jacuípe a cidade de Antonio Cardoso vive o drama de sua prosperidade ficar mais distante a cada dia em relação aos vizinhos. Ainda existe a distorção da identidade do território que torna toda fase de desenvolvimento frustrada.  No passado a região foi vítima da estupidez histórica dividindo seus moradores, no presente o abandono e as maquiagens dos governos e da maioria de seus moradores faz repetir os mesmos frutos indesejados. Os benefícios que as margens dos rios Jacuípe, Curumatí e Paraguaçu trazem cobram seu preço pelo isolamento econômico que impõem. Nenhum dos grupos políticos existente no Município hoje tem programa de governo concreto para superar esse gargalo histórico, apenas, envernizam o passado com cara de novo. Camuflando um inimigo perigoso que vez e outra vêm átona. Os próprios lideres desses grupos políticos locais não moram, não fazem compra e nem pagam impostos dentro da cidade.  Ainda vão para emissoras de rádio dizer " o município de Antonio Cardoso é pequeno e pobre" . Pequena e pobre é a mentalidade dos que sempre governaram o território. Como é esse desenvolvimento que eles continuam criando expectativa nos moradores, onde os mesmos não visam desfrutar dele? A certo modo a história já mostrou que seus moradores necessitam repensar o município com urgência antes que seja tarde. Pois os ventos de bom grado não têm passado por esse território. Várias comunidades só existem para garantir os privilégios pessoais de alguns chefes do lugar como moeda de troca com o prefeito, por as necessidades dos moradores serem ignoradas. Os moradores acabam acolhidos por outras cidades nos períodos extremos por sua terra natal não assistir. A mesquinhez de uma minoria tem um preço e todos os moradores pagam por ele injustamente. 
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