quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A Psicologia do Conflito


SANTO ESTÊVÃO    X   NOSSA SENHORA DO RESGATE

Paróquia de Jacuípe 1690
X    = ?
Paróquia de Umburanas 1843

A História tem testemunhado que um povo sem identidade cultural fica refém do passado. A mercê do jogo de empurra e presa fácil para os vizinhos dominarem. A crença marca profundamente a vida do homem e contribui na unificação de uma sociedade.Mas esse fenômeno não corresponde a realidade do cardosense. Onde ficaram escravos da fé. 

A religiosidade que deveria ser elemento de confraternização social e centralização administrativa, como nos outros municípios, causou a infelicidade e a dispersão do grupo, fragilizando a malha social. O que tem motivado o confronto entre o distrito de Santo Estevão Velho e a Umburanas, levando os habitantes do município se desiludirem e abandonarem o território? Essa divisão originou de qual fenômeno social? Para entendermos esse processo devemos buscar explicações em nossas origens.

A formação da nossa civilização teve inicio em marcos cronológicos com a construção da Capela de Santo Estevão, hoje o velho no século XVII. Mas não se consolidou reconhecida através da Igreja Católica para o santo ser o Padroeiro do território e elevar a condição de Vila (cidade). Ou seja, os administradores da Igreja naquela época retirar o título de posse da comunidade de Jacuípe sobre a imagem do santo. Deixando a brecha para aquela comunidade perder seu Padroeiro e o direito de tornar Sede administrativa do território. Fato ocorrido no século XVIII, por iniciativa do Padre Português José da Costa Almeida que deslocou a imagem para o atual município de Santo Estevão novo. Resultando na constituição do espírito separatista dos moradores daquele local. Esforços perdidos, afinal, Santo Estevão Velho não pode ser cidade nas condições que se encontra hoje, por o município vizinho já herdar o nome e o Padroeiro. Sua denominação no nosso território só alimenta ilusão. Que elemento cultural o distrito possui para caracterizar a independência do município? Sentindo o inconformismo da população o Vigário de Santo Estevão Novo que respondia na época por toda a região cuidou de nos enviar um presente de grego para acalmar os nervos: a criação da Freguesia de N.S. Resgate das Umburanas. 

O que seria nossa alegria resultou na tristeza. Desestabilizando mais ainda a união da população e mergulhando num conflito entre os fieis do Santo Estevão e de N.S. Resgate para atender os interesses de Santo Estevão NOVO. O confronto existe há século causado no interior da igreja Católica, sua máscara não será a solução. Para onde foi o entusiasmo da Sede com função dividida? Amor dividido é a praga que corrói a vida. Como transformar Santo Estevão Velho em cidade?

A imagem do Santo Estevão e N.S. Resgate representam na nossa cultura a traição histórica desencadeada por aquele Padre e apoiada pelos administradores da Igreja Católica na época. Mais triste ainda que a briga saiu do campo religioso para o social, chegando aos dias atuais. Por que denominaram Resgate? Visava resgatar o quê? Ferida histórica jamais cicatriza. Esse acontecimento acabou com a própria unidade da Igreja no município. Para que serve professar uma fé em pedaços? Além dessa infelicidade fomos vitimas do jogo de empurra, administrados por Cachoeira, Santo Estevão, Feira de Santana e São Gonçalo dos Campos. Como se não fôssemos donos do nosso destino e incapazes de nos governar. Outra humilhação que sofremos como Comarca do Fórum de Santo Estevão. Só seremos independentes no dia que possuirmos um Fórum no nosso Território. Não bastava essas decepções, através da arbitrariedade do Interventor Federal no estado amargamos a perda do nome histórico, Umburanas.

O lamentável atualmente que o município possui duas Sedes político-administrativa, no norte Santo Estevão Velho, no sul a Umburanas. Graças a ação de quatro fatores em conjunto, são eles: o nome do santo que prevaleceu na denominação da comunidade sobrepondo a N.S.Resgate que não predominou sobre o nome do município, presença das respectivas imagens na comunidade representando a fé de uma parte da população o contrário de toda, inexpressão político-administrativa da Sede sobre seu território e população para superar a contradição, abandono dos governantes que não mora na cidade. Somos uma população com dupla identidade cultural. Porém nem o Santo Estêvão nem N.S.Resgate representam os nossos anseios universais. Os dois para nós simbolizam o constrangimento da geração de ontem e a desesperança para a de hoje. Como chegaremos a conciliação? Ambos atual velam nomes de defuntos na comunidade. Santo Estêvão não tem progresso aqui, Antonio Cardoso é uma homenagem sem prestígio.

Portanto, onde devemos buscar a nossa razão de viver? Não está em N.S.Resgate nem em Santo Estêvão, ambos, até aqui, frutos pecos, decadentes e incapazes de construírem a nossa identidade. Todavia, no poder de criar o novo pela vida e na causa humanitária. A  mediocridade de alguns preso a valores ultrapassados vem afundando o município no  lamaçal.


Arnaldo Soares, 29/ 12 /2007.



O santo Estevão tem progresso aqui no município, podendo denominar o território?
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