CIDADANIA ATIVA

Você já se perguntou?

O que mudaria em sua vida se seu tempo ocupado com novelas... fosse usado para entender a ciência política e a CIDADANIA ATIVA (cada um fiscalizar o destino dos seus impostos)? Percebeu que você também contribui com a sua situação de pobreza?

A Liberdade de Expressão

CONSTITUIÇÃO DA REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO DIREITO DO HOMEM, 1948.

Art. XIX - Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão. Esse direito inclui a liberdade de receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, sem interferências e independentemente de fronteiras.”

Resultado das Eleições 2018 em Antonio Cardoso

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

No município de Antonio Cardoso, a quantidade de eleitores chama atenção. Pois foi feita a revisão eleitoral para corrigir a distorção da quantidade de eleitores comparada com o número de habitantes. Mas pelo visto não adiantou. 

Hoje o município possui 10.723 eleitores. Na próxima eleição municipal em 2020, a quantidade de eleitores ficará próxima ao número de moradores. Isso quer dizer que quem decide o destino do município são os eleitores forasteiros.

A quantidade aceitável de eleitores deve variar entre 65% e 85 % o número de moradores. Desse modo o número de eleitores do município está acima do normal. 

Quando se observa as votações de alguns candidatos, brancos, nulos e abstenções fica claro que os eleitores está distante de compreenderem a diferença entre os partidos políticos e o funcionamento do sistema eleitoral. 

Se os eleitores querem soluções para os problemas sociais precisam entender melhor a Ciência Política para não confundirem com politicagem (puxa-saco) e comércio eleitoral.

No primeiro turno compareceram 86,79% enquanto 13,21% se ausentaram. Segue a votação para presidente, governador e senador no município.


Presidente (os seis principais)

Haddad - PT         7.241
Bolsonaro - PSL      770
Ciro - PDT               312
Alckmin - PSDB      146
Daciolo - PATRI         61
Marina - REDE          59

Brancos  122
Nulos      546


Governador

Rui - PT                       7.187 
José Ronaldo - DEM   1.076
Marcos - PSOL                 20
Célia - REDE                    20
João Santana - MDB        14
João Henrique - PRTB      05
Orlando - PCO                  02

Brancos 176
Nulos      806

Senador (os seis principais)

Wagner - PT      6.693
Coronel - PSD   6.487
Lázaro - PSC        884
Juthay - PSDB      615
Rangel - PSL        151
Fábio - PSOL          47


Brancos  694
Nulos      2.956





Fonte:https://placar.eleicoes.uol.com.br/2018/1turno/ba/apuracao-no-estado/#/33332-BA





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Cor da população brasileira é falsificada

Quando se trata em cor de pele, no Brasil, chama a atenção para as opções vagas  sugeridas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Ou seja, as opções para tratarem da mistura étnica  são impostas e direcionadas com  o propósito de negar a presença indígena na população.

Se a definição da pessoa se dá através da autodeclaração, então, a pergunta razoável não deveria basear na etnia (aspectos culturais, históricos, físicos dentre outros) ao invés da cor? Sabe-se que uma cor é determinada pela concentração da tonalidade: como o critério de cor pode ser usado para estudar o homem?

O IBGE só permite que o miscigenado se declare pardo ou indígena. No entanto, as próprias instituições sociais, como as escolas, universidades e os meios de comunicação criam uma falsa imagem do índio na mente da população e na opinião publica. A qual, só considera índio quem vive na mata e nega a presença de índio nas cidades. 

Enquanto isso, a própria sociedade destrói as matas e roubam as terras dos índios. Também existe as compreensões distorcidas sobre o índio tratando como bárbaro (na colonização), inferior, sem cultura, atrasado... A religião verdadeira é a cristã (católica e evangélica) ou até mesmo afro por se institucionalizar (templo) e hierarquizar (várias graduações de funções).

Embora, se sabe que desde o início das invasões dos territórios indígenas, o cristianismo, foi e continua sendo, usado como uma arma para dominar. O próprio Pero Vaz de Caminha nos relata isso na carta de encontro português: “[...] a Terra de Vera Cruz [...] homens da terra [...] A feição deles é serem [...] quase avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos [...] os seus cabelos são corredios [...] se os degredados, que aqui hão de ficar, aprenderem bem a sua fala e os entender, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crerem na nossa santa fé [...] Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da sua salvação [...] porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza nela deve lançar [...] quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, seja, o acrescentamento da nossa santa fé."


Mas toda essa falsa compreensão visa forçar que os povos indígenas neguem suas origens e misturem com os brancos e pretos para tomarem as terras, roubarem a madeira, as fontes de águas, minerais, plantas com valores medicinais e alimentícios... Nas últimas três décadas mais de mil índios foram mortos por fazendeiros, grileiros, oportunistas, madereiros... Tudo é proposital visando negar a presença do índio na população. Veja a estatística da população indígena na America Latina anos atrás.


Diga-se de passagem que a visibilidade do índio foi eliminada dos contextos sociais. Ou seja, não se observa o protagonismo indígenas em cargos públicos influentes. Só em dois momentos que aparecem: na década de 1980, quando o índio Juruna torna deputado federal e em 2018, com a eleição da índia Joênia Wapichana para deputada federal e da índia Chirley Pankará para deputada estadual em São Paulo.

Índia Joênia, deputada federal

Recente chama a atenção outro fator que tem atuado a serviço do domínio dos brancos e para apagar a genética e a presença indígena na população. Refiro tanto a negação indígena  na mistura com o branco quanto o reconhecimento sem critérios claros de  comunidades afro ou quilombola. Neste caso, não leva em conta a mistura do preto com o índio. Como uma comunidade com bisavó indígena pode ter sua origem afro? Tudo se justifica para criar um publico consumidor de serviço, eleitoral,... Essa negação do índio gera prejuízos graves para as populações indígenas e a constituição étnica, histórica e cultural da população.

Cabe ainda citar os termos vagos usados nos estudos da população que ajudam distorcer a realidade como pardo e negro. Ambos são usados pelas pesquisas governamentais mas não tem definições claras. 

Qual o sentido de pardo? Pardo é uma cor? É possível se identificar essa cor com clareza? De que trata o termo negro? Considera-se negro a soma dos pardos com os pretos, aumentando a confusão étnica ou racial. Destacam também termos populares como caboclo, sertanejo, caipira, dentre outros mas nunca se fala índio.

Tais expressões só pioram a distorção sobre o estudo da população e pela vagueza abre espaço para interpretações equivocadas como o racismo e o pre-conceito racial. Gerando falso conhecimento sobre a história, culturas das etnias que formam a população do Brasil, principalmente, quando se trata dos povos indígenas.  

Por exemplo, é comum se ouvir que na região Nordeste não existe mais índio. Afirmações dessa natureza além de desconhecerem a realidade tem um conteúdo intencional de negar esses povos para não colocar em ameaça os confortos dos dominantes como o domínio sobre a terra. E por outro lado, ignorar as origens do sofrimento de uma multidão mutilada pelo abismo da miséria.

Diante os relatos merece destaque dois pontos de vistas encontrados na internet. Seguem abaixo.

"Brasileiro não reconhece sua herança racial e cultural do índio porque, hoje, o reconhecimento de nossas raízes se dá de mão única. E que mão única é essa? Todo esse alvoroço em torno da causa negra, como se o Brasil fosse negro (ou só negro) e fosse oriundo apenas da miscigenação euro-africana.

Esse pessoal esquece que o Brasil não é e nunca foi homogêneo. Esquecem que enquanto na Bahia, na capital carioca e em quase toda Zona da Mata nordestina prevalece a miscigenação branco X negro, no Sul do país prevalece o branco descendente dos imigrantes. E esquecem ainda mais que o sertão nordestino foi forjado na mistura do português colonizador, do holandês invasor, do paulista bandeirante e das mulheres Cariris, Tarairiús e Tupis - quase sempre tomadas à força das tribos vencidas na conquista do sertão, e colocadas dentro de casa pra parir os filhos dos novos senhores.

Isso sem contar o Norte do país, de maciça herança nativa, e o Centro-Oeste.

Mas fazer o quê se somos (erroneamente) ensinados que o negro é o grande herói desse país e que o Brasil nasceu do ventre escravo africano?

O negro teve, sem dúvida, papel crucial no desenvolvimento da população de vastas regiões no país - e é justo que seja reconhecido nelas. Mas impor a realidade étnica e cultural de certas regiões do país às demais acabou por ofuscar o nativo americano como matriz cultural e racial do nosso povo." Natalycio Lucas

A formação e a pratica deformada de professores (clique aqui) e da mídia também ajuda falsear e ridicularizar o índio dentro da sociedade. A repercussão dessas ações torna desastrosa para a população indígena. Segundo uma reportagem do jornal A Tarde com a historiadora Ana Paula (clique aqui)

 "São séculos de políticas públicas para que os índios deixassem de existir 


Para além das escolas indígenas, você acredita que as escolas regulares ainda tratam a cultura indígena de modo folclórico?
Geralmente, as escolas só nos procuram em abril. É impressionante como os índios aparecem na história do Brasil quando Cabral chega aqui, em 1500, e depois eles desaparecem por um longo período. Você só vai ouvir falar um pouco de novo quando houve as comemorações pelos 500 anos do Brasil. Aconteceram aqueles confrontos, a pancadaria, a confusão. Então, eles ficaram um grande período da história com uma invisibilidade muito grande, como se não existissem. É um hiato histórico.  Isso faz com que as pessoas vejam os índios hoje como resíduos do passado. Eu não tenho mais paciência para responder quando dizem: ‘Ah, mas é índio e tá de celular?’. Respondo, né, porque é minha obrigação, mas os índios são povos do nosso tempo. Podem andar de avião, ter computador, usar internet, celular. 

Por que, na sua opinião, o movimento indígena não se fortaleceu no Brasil, a exemplo do que ocorreu com os movimentos negros, feministas e LGBTs, ao menos no que se refere à visibilidade? Por que não ganhou projeção?
Há um preconceito imenso com a questão indígena. Essa política anterior de Estado de querer que eles se integrassem, de querer que eles desaparecessem, de querer que eles não fossem índios mais, isso só mudou em 1988. É muito recente. A estimativa é  que nós temos um milhão de índios no Brasil. Acho que todo esse trabalho desde a época colonial, depois no Império, depois na República, de trabalhar para o desaparecimento deles teve esse reflexo. (...) Há todo um movimento indígena organizado. Mas aí a pessoa vê o índio protestando e vê o índio de celular e aí parece que já desmerece. Pelo amor de Deus, gente, os índios do Nordeste, tirando os Pataxós, não têm cabelo lisinho, não, olhinho puxado... Uns até têm, mas não são todos. Tem que entender o processo de como a história aconteceu. (...) Porque, do ponto de vista do ativismo europeu, eles só veem os índios da Amazônia, meio que como um complemento das campanhas ambientalistas, como guardiões da floresta, da biodiversidade, o que é verdade. Mas aqui também isso acontece, no semiárido, na caatinga, que são biomas mais discriminados, sem tanta visibilidade. Os índios também estão lá protegendo esses lugares. Nos estudos que fizemos com os Xokós, de Sergipe, é nítido como eles conseguiram recuperar a fauna e a flora num tempo relativamente curto, cerca de 30 anos. Na imagem aérea, você vê a área desmatada fora do território deles, e lá está tudo verdinho. Em pouco tempo já há essa regeneração. Quando fui visitar um dos limites das terras dos Xokós, fiquei impressionada. Tinha uma estrada separando e à esquerda era terra de fazendeiro. À direita, a terra indígena. A dos fazendeiros não tinha nada, era aquela poeira, só. E a dos índios era aquela caatinga bonita, sabe, aquela coisa exuberante.


A gente falava de folclore, e no Carnaval deste ano ativistas reivindicaram que as pessoas não se vestissem de índio, com o argumento de que índio não é fantasia.  O que você pensa disso?
Eu não sou contra. Os índios se posicionaram totalmente contra, falaram que não é fantasia, e tal. Mas eu acho muito massa os mexicanos estarem de cocar na Copa, torcendo. É uma forma de representar, meio estereotipada, mas é. Em algumas escolas, no Dia do Índio, as crianças estão lá fantasiadas gritando ‘uh, uh, uh’. Não tem nenhuma tribo no Brasil que faça isso. Isso é depreciativo. 

Há no Brasil uma mobilização grande por parte dos movimentos negros para que as pessoas se assumam negras e não pardas ou morenas. Em que medida, na sua opinião, essa discussão não acaba apagando ou diminuindo nossa herança indígena?
Tem isso, mas acho que muita gente não se assume indígena por preconceito. Há muitos relatos de índios que moram nas aldeias e preferem não se assumir. Essa identidade está ligada a histórias muito traumáticas. Quando trabalhava no Cedefes [Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva], em Minas, muitas pessoas me ligavam na época que surgiram as cotas dizendo assim: ‘Ah, minha vó foi pega no laço’. O que é a avó ter sido pega no laço? É estupro. ‘Ah, meu avô amansou ela’... Todas essas palavras que se usam... Então você fundar a sua identidade de uma história assim... São séculos de políticas públicas para que essas pessoas deixassem de existir."

Essa situação citada acima merece destaque para o caso emblemático de negação do povo Payayá. O qual, seus ancestrais viviam no centro do território baiano entre a Chapada Diamantina e o recôncavo baiano.

Por que no território do Jacuype/Umburanas (Antonio Cardoso) restou poucos parentes dos índios guerreiros Payayá na atualidade?

O povo Payayá sumiu da região porque era guerreiro. Nos primeiros séculos da invasão, o rei de Portugal e o Governo Geral da Bahia para tomarem posse do território e subirem os rios Jacuype e Paraguassu em direção ao sertão enfrentavam a muralha humana de guerreiros Payayás.

Então, o rei autorizou que o governador liberassem os invasores matarem todos os índios guerreiros, principalmente, os homens. Enquanto, os brancos e pretos misturassem com as índias para tomarem posse das terras. Ocorreram várias guerras contra os "bárbaros" (termo depreciativo usado pelos brancos na época) Tapuyas Payayá, falantes do Tupy.

As índias foram estupradas e aquelas que rebelassem seria mortas. Por isso que hoje na região não conservou aldeia. Ainda os parentes atuais dos Payayá são pela parte feminina. O deus principal do povo Payayá é Tupã.

Dentre os vários sentidos da tradução do termo "Payayá", do Tupy para o português, os remanescentes dos Payayá aceitam o sentido "filho do espírito". Segundo alguns pesquisadores após as invasões o grupo  dividiu entre apoiadores e inimigos dos brancos. Daí os brancos denominaram com nomes diferentes.

Mas os parentes dos guerreiros Payayá não abandonam suas  origens nem os ensinamentos de luta de seus ancestrais que tombaram heroicamente, quase foram extintos, na defesa de seu grupo e território. Os descendentes dos índios Payayá continuam vivendo em seu contexto de origem, na kaatinga do sertão baiano.

Dentre as familias descendentes dos índios da região, duas conhecidas ainda conservam alguns traços claros, a Soares do sítio kaatinga e a Bomfim do Travessão. Outras  contribuições dos índios ainda estão vivas como o artesanato de Oleiro, plantas medicinais (ervas), vocabulário, nomes dos rios da região, bioma kaatinga ...

A genética do povo Payayá, originário da região não sumiu, permanece misturada dentro de outras. Embora, alguns pretendem transformar todos em branco e preto.

As opções dada pelo IBGE cria uma realidade falsa sobre a formação étnica do Brasil.

É importante que fique claro que o propósito é chamar a atenção para o falso conhecimento gritante sobre a constituição da população brasileira. Isso gera consequências drásticas sobre as populações etnicas, em especial, a indígena.
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Cacique dos índios Payayás visita descendentes em Antonio Cardoso

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Descendente, Cacique e Secretário 
A compreensão de índio dos brasileiros: Branco misturado com preto mas com pele branca continua branco.

Índio misturado com branco ou preto NÃO É mais ÍNDIO.

Destruíram as florestas e tomaram as terras dos índio e dizem que só é índio se viver na floresta.

Muitos de pele vermelha e não se assumem, vivem sonhando ficarem brancos de olhos azuis, estilo europeu, estadunidense ou canadense.

Isso chama se definir pelas características do outro.

Como algumas comunidades que tem comprovado  bisavós indígenas origina de quilombo como Orobó, Oleiro e outras?

Ontem (29/08) esteve no município de Antonio Cardoso o cacique dos índios Payayá que deixaram descendentes na região (clique aqui). Na oportunidade, o Secretário de Educação, Cleves, recepcionou em seu gabinete o cacique Juvenal Payayá. Trataram das contribuições dos índios na formação da população e da cultura do município (clique aqui). Mais informações clique aqui.

Em Antonio Cardoso existe descendentes em várias comunidades como: Barra do Paraguassu, Oleiro, Cabana, Maxixe/ Umbuzeiro, Travessão, Lagoa (próximo ao rio Jacuipe), Pernambuco, Umburanas (Sede), Caboronga, Santo Estevão Velho, Orobó/Salgado...

Na região destaca a comunidade no município de Santo Estevão chamada Payayá (meu pai descende de índio que deixou parentes em Santo Estevão). É provável que recebeu esse nome por seus primeiros moradores serem os índios Payayá. Há relatos de moradores que o vizinho distrito feirense de Ipuaçu existe vários descendentes dos Payayá.

Artesanato do distrito de Oleiro
As heranças do povo originário são várias como no vocabulário, na genética, artesanato de barro (distrito de Oleiro) e palha, plantas medicinais (ervas), cultivo de várias plantas, técnicas de pesca (canoa, uso do tinguir, mosuá, jereré,...)

O site Feirenses relata que "Na histórica obra “Feira de Santana”, do pesquisador norte-americano Rollie Poppino, publicada em 1968 (...) "Quando os primeiros europeus se fixaram na gleba, que veio a ser o município de Feira de Santana, encontraram-na habitada pelos índios da tribo (...) Paiaiá”. (...) vários pesquisadores, que (clique) descrevem a etnia como aquela “que consistiu em uma verdadeira ‘muralha humana’ durante os séculos XVII e XVIII, resistindo ao movimento de expansão e ocupação colonizadora das terras do interior da Capitania da Bahia”. (...)

Segundo o pesquisador Solon, o arqueólogo alemão Carlos Ott, que viveu boa parte de sua vida na Bahia, os Payayá devem ser classificados como caçadores-coletores tornados agricultores, fabricantes de ferramentas de pedra e cerâmica. Seriam também conhecedores da arte da construção usando ossos, madeiras, palhas trançadas de licuri e folhas de palma. Ott aponta vestígios de artefatos de sílex, nefrite e jadeite como lascas, machados, pontas de lanças e de flechas, além de cachimbos de madeira, urnas e cerâmicas decoradas. E afirma que os Payayá também eram cultivadores do milho, da mandioca, do aipim, do feijão, da batata doce, do amendoim e da abóbora, além de caçarem veados, porcos do mato, cascavéis, e coletarem umbu, mandacaru, xiquexique e mel de mandassaia.


Rio Paraguassu
Para Ott, os Payayá também acrescentavam o peixe à sua alimentação. Eles tinham o costume de invadir a região do Recôncavo para a pesca da tainha que, depois de salgada e triturada, gerava uma farinha de peixe (também chamada de farinha de guerra) que, quando misturada com a farinha de mandioca, tornava-se essencial para a sua subsistência no sertão, principalmente durante os períodos de secas prolongadas e de guerras, posto que esta farinha durava meses."


No território tem um povoado chamado Cabana. Segundo informações de alguns moradores esse nome origina da existência de várias cabanas dos índios que moravam no local, provavelmente, os Payaya. Ainda afirmam que na comunidade existem algumas grutas de pedras formadas pelos antigos moradores. E que algumas famílias das comunidades entre os distritos de Oleiro e Poço como Cabana e Mangabeira possuem descendência indígena.

Ainda não se sabe o local que os índios da região enterravam seus familiares, embora, se tem notícia de um cemitério clandestino em uma fazenda próximo do distrito de Poço. Mas não se sabe se só enterrava índios ou negros ou se eram o local que os senhores de escravos enterravam os índios e negros que eles mataram no período colonial. 


A pobreza no Brasil não é uma questão  só de classe social mas também de cor da pele (etnia). A situação de pobreza que a maioria da população do município se encontra resulta da descendência indígena ou preta. A situação indígena hoje é pior do que a dos pretos. Pois os brancos e alguns pretos tomaram posse da terra enquanto os descendentes indígenas, além de terem sua família destruída, ficaram sem nenhum meio de sobrevivência. 

As famílias que tem descendência indígena no município de Antonio Cardoso precisam reconhecerem suas origens para valorizarem sua história e lutarem contra o abandono governamental. Visando cobrarem projetos dos governos para reduzirem a situação de pobreza que sobrevivem. Além de lutarem pelo direito a terra que roubaram de seus ancestrais. Enquanto continuarem abandonando suas raízes continuarão escravos da pobreza e do abandono governamental.

A povoação dos índios (povo) Payayá do
recôncavo à Chapada Diamantina é inquestionável.

Algumas fontes dizem que por aqui (atual Antonio Cardoso e região) existia mais de uma etnia (povo) diferente povoando mas as fontes são duvidosas. As fontes mais serias tratam que ocorreu uma divisão no grupo após as invasões e perseguições dos brancos: uma parte se aliaram aos dominadores e a outra declarou guerra.

Segundo, alguns estudiosos os invasores aproveitaram e passaram a denominarem nomes diferentes aos grupos que discordavam entre si. Além de usarem aqueles aliados para perseguirem os que guerreavam.

Nas discussões sobre os povos originários deve se valorizar primeiro os pontos de vistas dos índios  para evitar as pesquisas ditorcidas.

Adaptação: rede sociais da prefeitura de Antonio Cardoso.
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Índios Payayás: a Civilização Milenar do Recôncavo Baiano à Chapada Diamantina e suas Influências na Atualidade – Parte I

sábado, 11 de agosto de 2018

 Payayás atuais /Google
Se você for ou conhece parente do povo Payayá na região entre em contato conosco.

O editor do site O Jacuípe, percebendo a rasura das explicações sobre a formação da população da bacia do Paraguassu, traz uma publicação em duas partes que tenta retomar as origens milenares do povo originário, os índios Payayás. Os quais viviam e seus remanescentes ainda vivem entre o recôncavo e a Chapada Diamantina. (Veja as dicas de pesquisa no fim).
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Índios Baianos Concorrem Vaga no Legislativo Estadual e Federal

sábado, 7 de julho de 2018

Cacique Aruã Pataxó
Atualizado em 15/07/2018.

Os fazendeiros e oportunistas estão destruindo os povos indígenas para tomarem as terras.

Você já se perguntou: QUE graça tem o Brasil e a Bahia SEM os povos indígenas?

Votar em índios no Brasil significa escolher governantes engajados na redução das desigualdades sociais, contra a ganância dos fazendeiros e empresários, contra a corrupção, a exploração humana e a dominação estrangeira.

A resistência dos povos indígenas contra a crueldade, a dominação estrangeira, as falsas teorias sociais  e científicas (Eugênia, Poligênia, Darwinismo Social, Teoria do Branqueamento, Democracia Racial,...)  pode ser considerada o primeiro e mais antigo movimento social em funcionamento no Brasil. 

Neste ano, os eleitores baianos terão opção  indígena nas urnas. O cacique Aruã Pataxó é pré candidato a deputado estadual pelo PCdoB e como pré candidato a deputado federal, o cacique Ramon Tupinambá (REDE).

O cacique Aruã tem experiência na vida pública. Ele foi vereador e é conhecido pelo eleitorado baiano. Segue breve biografia feita por ele

"Sou o Cacique Aruã, presidente da Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia, também sou do Movimento dos Povos Indígenas da Bahia - Mupoiba. Em 2014, os povos indígenas, me apresentaram enquanto candidato a deputado estadual, obtive nas urnas 6.402 votos. Agora, em 2018, o meu nome está novamente a disposição dos baianos, para a candidatura a deputado estadual."

Dentro de muitos brasileiros vive um índio. Mas a mentalidade de alguns brasileiros continua pensando os índios a partir dos preconceitos usados pelos europeus, séculos passados, para dominarem. No Brasil, muitos podem não ser índio no sangue mas se tornam através das condições socioeconômicas de sobrevivências ou pela discriminação social, étnicas e política.

Muitos brasileiros entendem os índios como um povo fascinante que existiu no passado e vive bem distante. Mas na verdade o índio circula nas próprias veias de muitos que desconhecem suas raízes étnicos-culturais. Carregam o sangue indígena mas não se reconhecem. O Brasil foi inventado para as pessoas desconhecerem elas mesmas.

O baiano, por exemplo, se gaba que o Brasil nasceu aqui mas abandona suas raízes étnico-culturais. Na Bahia nenhum índio se elegeu para cargos estaduais e federais até hoje.

Os eleitores baianos nunca elegeram um índio para deputado estadual e federal, senador e governador. Nesta questão a população do Rio de Janeiro se demonstra mais desenvolvida culturalmente e acolhedora do que a baiana. O único índio eleito a deputado federal no Brasil foi pelo Rio de Janeiro. Os baianos tem essa dívida com a própria história.

Este ano os eleitores baianos podem valorizar sua riqueza cultural, dando voz aos povos que lhes tornam fascinante. Vários índios moram pelas cidades, por isso, os líderes dos movimentos indígenas precisam ampliar suas propostas de lutas políticas.

O site conversou com o pré candidato a deputado estadual (PCdoB), o cacique Aruã Pataxó. Segundo ele, buscará o apoio do eleitorado através do contato direto, "nosso projeto político é para toda a Bahia e dentro das nossas possibilidades, vamos visitar o máximo de lideranças, comunidades, assentamentos, acampamentos, pessoas da zona rural e da cidade, a fim de construirmos um projeto que possa representar a todos os baianos", diz o Cacique Aruã.

Das cidades ao campo, milhões são parentes dos índios. Mas infelizmente não se comovem com o sofrimento do próprio sangue. Se observar as estatísticas socioeconômicas de cada cidade, muitas pessoas que moram em bairros pobres, as vítimas da violência urbana e do tráfico de drogas, os detidos nos presídios, os que estudam em escolas públicas, os que possuem baixa escolaridade são descendentes indígenas.

Diante das desigualdades sociais Aruã afirma que os "militantes do nosso projeto político, mãos entrelaçadas por um objetivo comum, terá a sua voz ecoada no legislativo estadual, na luta pela garantia de direitos, para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos da Bahia. Faça a sua e a nossa militância, na familia, nos vizinhos, na sua rua, no seu bairro, na sua cidade e em todos os cantos da Bahia, a fim de concretizarmos juntos o nosso projeto, Cacique Aruã, para deputado estadual."

Não existe democracia em um país que nega representação da diversidade étnica-cultural nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário). Excluir uma parte étnica das decisões importantes da administração pública é construir um país injustos, para garantir os confortos de poucos em detrimento do sofrimento da maioria. Não se pode chamar essa sociedade democrática. Porque cala a voz daqueles que ela nega legal e brutalmente os direitos básicos à sobrevivência.

O cacique Aruã, ao contrário do que muitos pensam sobre os índios, apresenta uma compreensão ampla sobre a política. Ele defende que sua pre candidatura luta pelos interesses dos baianos e em especial dos povos indígenas. Conclama que "precisamos nos unir, principalmente os indígenas, formar alianças com toda a sociedade, nos diversos segmentos sociais, índios e não índios, para um projeto comum de sociedade", afirma Aruã. Sua luta na região é conhecida, hoje, ajuda organizar as comunidades para garantir os direitos como "na área do esporte, saúde, educação e sistema de abastecimento de água", sobretudo, com o "objetivo de fortalecer a agricultura familiar e geração de emprego e renda comunitária" diz ele.


Cacique Ramon Tupinambá
Além de Aruã, outro nome indígena  que está indicado como pre candidato a deputado federal, o cacique Ramon Tupinambá, pelo partido REDE.

Por outro lado, as pre candidaturas indígenas enfrentam a desinformação do eleitorado baiano. O qual só vem elegendo vários fazendeiros para cargos estaduais e federais. Colocando em ameaça as vidas dos índios, a diversidade étnico-cultural e a história do estado. Cadê a diversidade étnico-cultural da Bahia representada nos poderes constituídos como assembleia estadual, no congresso e no judiciário?

Aruã diz que com sua candidatura pretende unir "indígenas, não indígenas e simpatizantes da luta dos povos indígenas e movimentos sociais, na Bahia." Para fazer "a mobilização da militância, parceiros e aliados dos diversos segmentos sociais, tanto na zona rural, quanto na cidade. No objetivo de agregação de forças, em torno de ideias comuns, na formação de alianças, para o nosso projeto político, na candidatura (Cacique Aruã) a deputado estadual, nas eleições de 2018. Por isso, pedimos apoio a todos, na divulgação desse projeto político. Junte-se a nós, venha fazer parte desse projeto", finaliza o Cacique Aruã.



No Brasil hoje, nenhum índio é deputado estadual, federal, senador, governador nem participa do poder judiciário. Chama atenção também que várias universidades brasileiras muito pouco fizeram, durante décadas, para corrigir as injustiças e garantir o direito à vida para esses povos.

O novo Brasil nasce da escolha de cada eleitor. O meio do eleitorado mudar o Brasil é incluir os povos indígenas nos poderes públicos. Enquanto os eleitores deixarem os índios fora das decisões importantes, a sociedade continuará desigual e refém de um passado cruel e preconceituoso.


Caro leitor, se souber de outros candidatos indígenas na Bahia entre em contato com a redação ou deixe em comentário. Incluiremos sua dica na matéria.



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